
* Alexandre Palmar
O palco estava armado, afinal não é todo dia que um hospital público ganha um tomógrafo. A instalação oficial do equipamento uniu o governador Roberto Requião e o prefeito Paulo Mac Donald Ghisi na última quinta-feira em Foz do Iguaçu. Atrás deles, dezenas de secretários, vereadores e assessores.
A solenidade também atraiu funcionários municipais da saúde em greve por causa do aumento da jornada de trabalho sem acordo coletivo. Com apoio do sindicato da categoria, os servidores foram até o complexo hospitalar com objetivo de roubar a cena no encontro dos mandatários — desafetos políticos em outras épocas.
A idéia era constranger o prefeito diante do governador. Com nariz de palhaço, apitos, faixas e vaias ao pedetista, os manifestantes tentaram uma reação do pré-candidato a presidente do Brasil. Em vão. O peemedebista apenas sorriu e ironizou: “Como vocês gostam do prefeito”! Em seguida, os dois caminharam lado a lado, indiferentes ao barulho, rumo à sala do tal tomógrafo, um equipamento de R$ 1,4 milhão.
Depois de passar pelo “corredor polonês”, Requião e Mac Donald — e as dezenas de homens de confiança — percorreram o interior do hospital. E logo na primeira passagem encontraram uma paciente numa maca. Como ficaria chato ignorar a enferma com a perna quebrada, pararam e a cumprimentaram. Trocaram algumas palavras, enquanto alguns assessores sorriram diante da mulher. Mas de que eles riam?
Após a cena imprevista, os mandatários finalmente seguiram para a apresentação do tomógrafo a si mesmos e aos jornalistas de tevê, rádio, jornais e sites. Na volta, uns 15 minutos depois, no mesmo paredão, a mesma moça na maca. Sua permanência durante esse tempo no corredor leva a uma suspeita: ela estaria à espera de uma vaga nos 125 leitos do hospital — anunciado aos quatro ventos como a terceira maior unidade pública do Paraná e uma das melhores do Brasil!
Confesso ter ficado intrigado com o episódio. O secretário municipal de Saúde, Luis Fernando Zarpelon, e o diretor do hospital, Roberto Almeida, poderiam ter evitado o encontro da enferma com aquela enorme comitiva, cheia de bactérias e vírus inofensivos. Sei lá... Poderiam ter preparado o terreno. Mas não, evitaram maquiar o hospital. Mostraram a realidade da saúde pública iguaçuense aos seus chefes e à imprensa. É de tirar o chapéu pela coragem.
Ah, quanto aos risos dos assessores, apenas uma conclusão. Os risonhos homens de confiança devem ter entrado no espírito dos manifestantes com nariz de palhaço e resolveram rir para a moça com a intenção de aliviar a dor da sua perna quebrada. De lambuja, sem querer, riram da minha perplexidade com aquela cena obscena. A Cia do Riso foi quem, verdadeiramente, roubou a cena.
Alexandre Palmar é jornalista e membro do MEGAFONE.
Obs: Pensando bem, tal cena até lembra a estrofe daquela antiga marchinha de carnaval. Clique aqui para ver de perto o riso e a alegria da moçada e, quem sabe, recordar a música.
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comentários
Eu ainda não consegui saber de a qual marchinha você se referiu Alexandre...
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