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Seg, 17 de Maio de 2010 00:00 |
* Alexandre Palmar
Três horas da manhã. A morena exibe as pernas na Pôr do Sol com a Costa e Silva. Ela assume o posto de trabalho numa rápida troca de turno com sua colega. Seu primeiro cliente é um senhor num carro importado. Algumas palavras são o suficiente para fazê-la entrar no veículo e voltar minutos depois pensando nas novas confidências do cliente fiel.
A uma quadra dali, a boate é palco da despedida de solteiro de um rapaz cobiçado por inúmeras moças ditas de família. A festa é completa: mulher com mulher, para deleite dos machos, e homem com homem, para alegria do noivo, que não se faz de rogado e aproveita o momento de libertinagem. Vale tudo até que venham as promessas ao pé do altar.
A folia na casa noturna é só para convidados. Festão público naquela noite, no alto da avenida, apenas no Ginásio Costa Cavalcanti, porém mediante pagamento de ingresso. A cada gol o artilheiro beija a camiseta e faz cena pra arquibancada. Os torcedores retribuem a encenação mordendo cada pedacinho da bandeira do time. Mais uma amostra de paixão descontrolada, dessa vez diante das lentes de fotógrafos e cinegrafistas.
Ali perto adolescentes fogem do pastor para respirar um ar puro na calçada da Igreja Deus é Amor. Sob o luminoso do Templo de Deus, o casalzinho dá uns amassos de fazer inveja aos bem casados. A duas quadras católicos ignoram os padres pedófilos e renovam a fé em Cristo no décimo churrasco do ano em prol da interminável construção da Igreja Menino Jesus.
Esses metros quadrados da Pôr do Sol são mesmo democráticos. Neles, ao longo da noite, ainda tem espaço para o assistente da executiva bater o ponto no apartamento do motel, enquanto as mãos entrelaçadas dos velhinhos sentados nos bancos da “Praça dos Skatistas” contrastam com as mãos rápidas da gurizada sob a ponte do Rio Boicy.
Não tem tempo ruim para aquela avenida de Foz do Iguaçu. Nem as crateras no asfalto tiram o seu brilho. As promessas de amor supremo pipocam naquelas redondezas quando chega o crepúsculo. Um pedaço de chão que levanta uma dúvida nos bisbilhoteiros: dedurar ou louvar os homens e mulheres sem vergonha?
* Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu, Pr. Texto publicado originalmente na revista Escrita, edição 12.
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