
Alexandre Palmar
Trabalhadores deixam seu recado no quadro de avisos
O Dia do Trabalhador foi festejado, trolado, descansado, almoçado, rezado, excomungado, mais um tanto de ados, mas, sobretudo, ignorado por muita gente em Foz do Iguaçu. Quem manda cair num domingo, tirando do calendário aquela folguinha extra que poderia ter ocorrido no meio da semana.
Essa pode ser a primeira impressão sobre a data na Terra das Cataratas, porém existem outros ados no pedaço. O 1º de Maio também foi panfletado, enfaixado, cantado, dançado, enfim, propagado de outra forma por pessoas quem insistem em fazer da data mais um momento para reflexão e protesto.
O trabalhador foi o protagonista de várias ações realizadas nos últimos dias, seja nas ruas, na sala escura ou na rede mundial de computadores. Sindicatos, movimentos sociais e culturais, cada qual do seu jeito, levantaram o debate sobre a classe trabalhadora (eita palavrão, mas só tem esse mesmo, a classe dos trabalhadores).
Pra começar, a discussão promovida pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular revelou o pânico do trabalho, um problema crescente e que tem lotado os consultórios. O grupo de trabalho mostrou casos, daqui do município, de pessoas doentes por causa do tipo de batente (repetitivo ou massacrante em busca de metas e resultados).
Já a arte cedeu espaço para centenas rirem da própria desgraça com o filme Buena Vida Delivery, exibido pela Casa da América Latina, Casa do Teatro e Guatá. A história de uns “los nadies” em busca de sobrevivência serviu de estopim para um debate sobre as alternativas para exploradores e explorados. Seria tudo uma questão de oportunidade? De nascer no lado certo do balcão?.
Sob o céu nebuloso, outros tantos mandaram seu recado distribuindo milhares de panfletos no centro e dos bairros, além de universidades e escolas. O manifesto resgatou uma indagação clássica da universal Mafalda: “Por que em vez de mudar as estruturas todos só ficam remendando as peças?“. Mensagem esta reforçada em faixas estiradas em diferentes cantos da terrinha.
Esse não foi o único alerta. Na internet, reflexões invadiram os sites e os blogs “sediados” em Foz do Iguaçu. A desqualificação do trabalho feminino no sistema capitalista, os trabalhadores do turismo, os trabalhadores na fronteira, os trabalhadores de cultura... Esses foram alguns dos temas abordados por professores, universitários, jornalistas...
Na Rua Rafael Casula, um palco para a união de desempregados, marginalizados e alguns empregados do bairro Cidade Nova, sindicalistas, acadêmicos da Unila e artistas. Pareceu ser unânime: abaixo o capitalismo! Um outro tipo de sociedade. Da música, da dança, do varal de protesto e da fala na latinha, o aviso final. “Hoje é dia trabaidô. Amanhã do trabaio. A luta continua”.
Uma música: Vida de operário - Excomungados Um poema: "Quando os trabalhadores perderem a paciência" - Mauro Iasi
Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu e integrante do Megafone. http://twitter.com/alexandrepalmar
(Fotos: Panfletagem - Marcos Labanca // Faixa com sombras - Carol Miskalo // Faixas - Giovane Lozano)
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comentários
Agora é continuar construindo a difícil e importante tarefa de reorganizar nossa classe.
abraços
Ficou muito bom o texto e o Ato no dia primeiro de maio. Espero que as coisas continuem caminhando dessa forma, organizando e mobilizando para ter mais consciência não só do trabalhador mas de toda a sociedade.
Força!
Abraços!!!
É verdade que os trabalhadores vivem sobre sindrome principalmente quando uma cidade ofere somente trabalhos decadentes e salarios pífios propiciando o trablhador submeter horas desgastantes e precionados por patroes que desconhecem direitos mas sobrecarrega para produzirem na perpesquitiva de enriquecimentos desenfreiados
è verdade que os trabalhadores por não obterem oportunidade de escolhas trabalham e submetem a doenças e panicos pois não possuem prazer no que fazem mas por obrigatoriedade pelo seu pão
Parabéns por esta informação
sei de sua competencia e luta
Rosilda.Rocha de Guarulhos SP
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