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Uma história de resistência e luta por liberdades e democracia
Qua, 05 de Outubro de 2011 18:34

marieta0510

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Marieta Shinke foi registrada pelo jornal Nosso Tempo, em 1981

* Alexandre Palmar
http://twitter.com/alexandrepalmar

“Quando ele chegou houve uma festa enorme, um salão grande com piano e orquestra. Eu me lembro que dancei uma valsa com Santos Dumont”. A lembrança de Marieta Shinke foi registrada pelo jornal Nosso Tempo, em 1981, quando a ilustre pioneira tinha 74 anos. Na entrevista ela narra fatos do começo do século XX, como a passagem da Coluna Prestes pela região e os flagrantes do marido, Harry Shinke, o primeiro fotógrafo de Foz do Iguaçu.

Essa importante memória da história das três fronteiras é apenas uma entre tantas retratas pelo extinto semanário. De 1980 a 1994, o periódico registrou os abusos dos governos, os personagens, as lutas e manifestações populares, as transformações da sociedade, o dia a dia da região... Sua linha editorial ousada acabou tornando-o numa referência como veículo de enfrentamento denúncia e combate da ditadura militar.


Agora esse conteúdo está na internet e pode ser consultado no site Nosso Tempo Digital, que reúne mais de sete mil páginas digitalizadas do nanico. A digitalização do acervo supre uma antiga limitação. Durante anos, as páginas do jornal só podiam ser pesquisadas na Biblioteca Pública e em duas coleções particulares de seus editores. O acesso ao material era restrito, correndo inclusive o risco de desaparecer pelo manuseio.


Mais do que isso. O projeto contribuiu para a preservação da memória e democratiza a consulta ao acervo midiático por meio da web --sobretudo por parte dos mais jovens, hoje tão dependentes das facilidades da internet. Hoje o site é uma fonte de pesquisa quando o assunto é as três fronteiras de algumas décadas atrás. Na falta de um arquivo público, a idéia de um museu digital da imprensa parece palpável.


A página eletrônica reúne o trabalho dos editores fundadores do Nosso Tempo (os jornalistas Juvêncio Mazzarollo, Aluízio Palmar e Adelino de Souza) e do último proprietário do jornal, Adão de Almeida. Está tudo lá, organizado por edições e seções (entrevistas, reportagens, fotos, humor e propaganda), e com ferramentas modernas de pesquisa.


O projeto busca facilitar o acesso aos fatos e permitir, a partir de uns cliques, uma viagem pelo passado. Estabelecer o paralelo com o presente, identificar contradições no discurso de agentes públicos, valorizar os pioneiros e anônimos. Tudo isso colabora para a formação de identidade de um povo, de um lugar. A sua leitura, portanto, é essencial para quem busca driblar o esquecimento seletivo típico inerente a quem interessa apagar o passado.


Exposição - Nosso Tempo Digital contempla uma exposição com capas e páginas históricas do jornal que está percorrendo escolas e universidades. O trabalho é uma amostra do que os leitores encontram na versão online. Na montagem estão bandeiras como reforma agrária, liberdade de expressão, ditadura, desabrigados, resistência, democracia, greves, além de lutas internacionalistas envolvendo países como Paraguai e Argentina.

O projeto é uma realização de MEGAFONE – Rede Cidadania na Comunicação, com patrocínio da Itaipu Binacional e Uniamérica. Apoiam a iniciativa o Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Subseção de Foz do Iguaçu), Casa da América Latina, Guatá – Cultura em Movimento, e Centro de Direitos Humanos e Memória Popular.

* Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu e um dos organizadores do projeto Nosso Tempo Digital (www.nossotempodigital.com.br)
Texto publicado originalmente na revista Escrita, edição 17.

http://twitter.com/alexandrepalmar

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