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Que tempo bom..., uma crônica sobre a histórica Banca do Caruso
Ter, 10 de Janeiro de 2012 12:41

 

carusoToda semana é uma pilha de revistas pra ver, ler e folhear. Placar, Bizz, Mad, Carícia, Veja e Playboy fazem companhia aos gibis da Turma da Mônica, dos chatonildos da Walt Disney e dos irados da Marvel. São quilos de papel que chegam à redação do Nosso Tempo as segundas-feiras, o dia dedicado a navegar pelas cores e formas das folhas.

Um gesto simples de João e Miriam Caruso. Eles arrancam as primeiras páginas, que são devolvidas as editoras para comprovar o encalhe das edições. Depois presenteiam o pessoal do semanário com os impressos desfalcados. Muito mais prático. Imagine encaminhar as publicações inteiras de volta pro eixo Rio-São Saulo pela Varig. Um peso só e muitos cruzeiros desembolsados.

A chegada da Miriam ao casarão do Boicy é motivo de festa. Quem liga para falta das capas? Mesmo sem elas, a Miriam contribui para incentivar o gosto pela leitura. Uns devoram os gibis; outras buscam as fofocas juvenis. Os mais velhos lêem a carro-chefe da Abril. Sempre afoitos, os moleques ignoraram a ausência da coelhinha na primeira página e vão direto ao ponto. 

O gesto dos Caruso simboliza uma amizade iniciada nos últimos anos da ditadura militar, na década de 80. Marido e mulher resistem aos mandatários do município que exigem a retirada do Nosso Tempo da prateleira. Mas que se danem o prefeito nomeado, o empresário fascista e o chefe da polícia. A ordem do dia é “abaixo a ditadura, viva a democracia! Viva a liberdade de expressão”.

O casal parece ter no nanico da imprensa iguaçuense o mesmo apreço do cultuado Jornal do Brasil, que, veja só, chega ao município praticamente um dia após sair do Rio de Janeiro. Valorizar as publicações daqui, sempre reservando a elas um espaço privilegiado na prateleira, é da natureza do dueto bom de conversa. Parece coisa de bicho do interior, mas pode ser a tal busca pela identidade de Foz do Iguaçu através da sua mídia impressa.

 Por essas e outras, se um dia nos escutarem os adolescentes tupiniquins, com certeza a Banca do Caruso será imortalizada. Vida longa aos amantes do número 883 da Avenida JK! Contemporâneos de um tempo bom. Quando o João e a Miriam cansarem das manchetes repetidas, vamos incluir a história do casal no museu virtual dos moradores da fronteira. Por enquanto, agradecemos pela memorável edição da Xuxa, em tempo real.

 
Alexandre André de Almeida Palmar é piá em Foz do Iguaçu.

Crônica publicada originalmente no site H2FOZ.


Que tempo bom..., uma crônica sobre a histórica Banca do Caruso
 

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