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Wemerson Augusto
O sol tímido e vento frio no final da tarde do 1º de maio deram ainda mais unidade aos manifestantes que se reuniram em frente ao Bar do Seu Domingo, no bairro Cidade Nova, região norte de Foz do Iguaçu. De baixo da pequena cobertura do estabelecimento, o verbo, a rima e a indignação ganharam corpo, na voz de humanos que reforçaram a necessidade de transformação e mudança na estrutura da sociedade.
Trabalhadores, pais, mães, estudantes e crianças acompanharam com brilho nos olhos as manifestações, intervenções e angustias compartilhadas pelo coletivo, no Dia do Trabalhador. A mesa de sinuca foi transformada em mesa de som. De trás das caixas, Marcelo Fernando, o “DJ Caveirinha”, comandava a base do som, com um sorriso largo e agilidade no manuseio dos discos.
Do outro lado da rua, mais humanos se reuniam no templo, falavam de Deus, do sagrado e de outras possibilidades. Pediam dias melhores, pediam a bênção aos céus, as divindades. Quem não estava no protesto, participava do culto evangélico. Um grupo de pessoas que estava no ponto de ônibus – entre o bar e a igreja – era a exceção. Eles, certamente, acompanharam a pregação e a falação, ao mesmo tempo.
Dos dois lados, era possível perceber a vontade da comunidade, viver em outro mundo. Como disse o estudante Agustin Casanova: “Outro mundo é possível, que não este, desigual e injusto com os trabalhadores. Precisamos unir nossas forças, fazer laços, mostrar nossas impressões e nossas vontades para nos conscientizar. Somos todos latinos, temos o mesmo ideal”.
Já na fala de uma criança foi possível perceber de forma mais cruel, a ausência do estado, que não garante emprego e muito menos lazer ao seu povo. Filho de mãe solteira e com mais quatro irmãos em casa, o jovem, como voz tremula, revelou: “Tio será que amanhã tem manifestação dinovo. Foi tão bom, aqui nunca tem nada”. Fiquei sem resposta e muitas questões na cabeça.
A pergunta da criança pode ter respondido o motivo do ato e da insistência dos trabalhadores. A criança quer brincar, comer, fazer parte e, por que não, consumir, igual seus coleguinhas de televisão. Ela quer viver a vida, como a vida deve ser. Mas para isso sua mãe precisa de um emprego. Um trabalho digno e humano para que ela possa sobreviver e levar os melhores valores para casa.
* Wemerson Augusto é jornalista em Foz do Iguaçu e integrante do MEGAFONE. Foto: Carol Miskalo
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