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Qui, 22 de Dezembro de 2011 13:05 |
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Wemerson Augusto
O sol brilhoso e vibrante se escondia, e os mártires de guarda-roupa começavam a chegar. A noite se aproximava, e a expectativa crescia a cada instante. O tão sonhado Baile do Zé Cueca iria acontecer. Os primeiros presentes já esticavam o peito para apresentar suas camisetas estampadas com símbolos de movimentos e líderes mundiais. Os foliões defendiam um papo livre de tudo e todos.
Os participantes possuíam um sorriso largo, ginga no corpo e um discurso desorganizado. O sotaque mudava conforme a freguesia. A luz da festa era da lua. A vida rolava, e eles tentavam conversar com a comunidade. Argumentavam, e o povo não entendia. Nos cantos, alguns se esforçavam para retirar a marca dos prendedores de roupa nas camisetas. Missão em vão.
A lua envergonhada foi embora. Restou a brasa dos isqueiros e os mesmos seres falando para eles mesmos que eram livres, desapegados, libertos e salvadores. Diziam que eram de todos. O sanfoneiro da festa, curioso com tantas palavras jogadas ao ar, questionou: “Vai mais uma música ou vocês vão ficar enxugando gelo”?
Sem graça, sem clima, sem público, sem crédito e sem organização os foliões pediram a conta e sumiram no mundo. Logo eles, que eram abertos ao novo e a todos que fossem sem organização. Ficaram sem ninguém. As faixas e cartazes estão pelas vias como lembrança da presepada realizada nas imediações. Já na escuridão, desejaram boas festas e prometeram voltar no próximo verão.
Wemerson Augusto é jornalista em Foz do Iguaçu. Texto publicado originalmente no site Guatá - Cultura em Movimento
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