Com apenas 1m50 de altura, o baiano Claudiomar Almeida, 46 anos, faz serviço de gente grande. Natural de Lajeado do Tabocal, ele acorda todos os dias às 5h30 para fazer a ração dos animais de que zela. Cuida de galinhas, patos, gansos, perus, porcos, gado, gatos e cachorros. Cada bicho recebe uma refeição especial. Os porcos, por exemplo, comem mistura de mandioca cozida com ração de farelos.
Fiel de Padre Cícero e de Nossa Senhora Aparecida, o nordestino, com pés de saci, começou na labuta com 15 anos, mas só teve a carteira assinada duas vezes. “Já trabalhei muito, menos mexer com coisas dos outros. Matar e roubar não é comigo”, conta.
Há um mês, veio de Santa Terezinha para trabalhar num sítio, na zona rural de Foz. Hoje, enquanto os patrões trabalham na cidade durante o dia, Almeida toma conta de tudo. Limpa, planta, colhe, dá comida aos animais e mantém ordem na propriedade.
“Tenho orgulho do meu serviço. Saio de um canto, já vou pra outro. Quando não dá certo num canto, já sai a notícia que sou um cara trabalhador, honesto e de confiança”, diz o nordestino, responsável pela chácara que fica no último imóvel da Avenida República Argentina. Situa-se pouco antes de uma encruzilhada de macumba, onde pessoas deixam oferendas aos orixás querendo encontrar um rumo.
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® MEGAFONE MURAL - Nos cafundós da cidade - Pedro Lichtnow
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