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Mudanças na aceituação e no uso no hífen entram na lista do acordo.
Mudanças se concentram basicamente na acentuação e no uso de hífen em algumas palavras
* Douglas Furiatti
Em 1º de janeiro de 2009 entrarão em vigor as mudanças previstas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Trata-se de alterações na acentuação de algumas palavras e no uso do hífen, com vistas à padronização do idioma português nos oito países que o utilizam (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe).
Apesar de o acordo começar a valer já no primeiro dia do próximo ano, a norma atual poderá ser utilizada até dezembro de 2012. Mas é bom os brasileiros procurarem adaptar-se logo às mudanças, para facilitar a assimilação da nova ortografia e não estranharem ao se deparar com livros, dicionários, apostilas, manuais, textos jornalísticos e demais publicações já em conformidade com o padrão estabelecido no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Para contribuir com a assimilação dos leitores, preparei um resumo baseado no Guia Prático da Nova Ortografia, elaborado pela Editora Melhoramentos. Vale a pena estudá-lo, para iniciar 2009 já adaptado à nova forma de grafar alguns termos. E falta pouco, somente um mês. Confira:
ALFABETO • O k, w e y voltam a ser utilizados no alfabeto, que passa a ter 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.
TREMA • O trema deixa de existir, sendo mantido apenas em nomes e derivados estrangeiros. Exemplos: lingüeta passa a lingueta; qüiproquó, para quiproquó; tranqüilo, para tranquilo; seqüestro, para sequestro...
ACENTUAÇÃO • O acento agudo não será mais usado nos ditongos (encontros de duas vogais) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (cujo acento está na penúltima sílaba). Exemplos: colméia — colmeia; platéia — plateia; jóia — joia; paranóia — paranoia...
• Ainda nas paroxítonas, as letras i e u tônicas deixam de ser acentuadas depois de um ditongo. Atenção, não confunda ditongo com hiato. Exemplos: bocaiúva — bocaiuva; feiúra — feiura...
• Palavras terminadas em êem e ôo(s) também perdem o acento. Exemplos: enjôo — enjoo; perdôo — perdoo; zôo — zoo; crêem — creem; lêem — leem; vêem — veem...
• O acento diferencial para distinguir pára de para, péla de pela, pêlo de pelo, pêra de pera, e pólo de polo também desaparece. Exemplos: Luiza pára o carro — Luiza para o carro; O pesquisador foi ao pólo — O pesquisador foi ao polo; Ele tem muitos pêlos — Ele tem muitos pelos... Exceção: o acento diferencial permanece para distinguir pôde e pode; pôr e por; e o singular e o plural dos verbos ter e vir e seus derivados (manter, conter, advir, intervir...) Exemplos: Ela não pôde brincar ontem. Ela pode brincar hoje; Eu não quis pôr a camisa. Eu não vou por aí; Meu amigo tem um carro. Os pais têm dois filhos; Ele mantém a posição. Eles não mantêm...
HÍFEN • Os prefixos serão separados por hífen quando a palavra seguinte iniciar por h. Exemplos: anti-histérico, co-herdeiro, mini-hotel, sobre-humano, super-homem... Exceção: subumano, que perde o h.
• O hífen também será usado quando o prefixo terminar pela mesma vogal que inicia o segundo termo. Exemplos: anti-inflamatório, micro-ondas, semi-interno, ultra-atômico... Exceção: o prefixo co se aglutina com o elemento seguinte iniciado por o: coobrigação, coordenar, cooperativa...
• Usa-se hífen, ainda, quando o prefixo terminar pela mesma consoante que inicia a palavra seguinte. Exemplos: sub-base, hiper-requintado, inter-regional, super-rápido...
Atenção: 1) o prefixo sub também é separado por hífen quando o termo seguinte começar por r. Exemplos: sub-raça, sub-região... 2) os prefixos circum e pan pedem hífen diante de palavra começada por m, n e vogal. Exemplos: circum-navegação, pan-americano...
• Não é usado hífen quando o prefixo terminar em vogal diferente da que iniciar o termo seguinte. Exemplos: autoescola, coautor, extraescolar, infraestrutura, semiextensivo, semianalfabeto...
• Não se usa hífen, também, se o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento for diferente de r e s. Exemplos: anteprojeto, autopeça, microcota, pseudopai, semideus, seminovo, ultramaratona... Exceção: o prefixo vice será sempre separado por hífen: vice-almirante, vice-campeão, vice-reitor, vice-presidente...
• O hífen não existe, ainda, se o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar por r e s. Nesse caso essas duas letras são duplicadas. Exemplos: antirracismo, antissocial, contrarregra, contrassenso, minirraia, minissaia, semirreta, ultrassom...
• Se o prefixo terminar em consoante, não se usa hífen quando o termo seguinte iniciar por vogal. Exemplos: hiperativo, interestelar, superinteressante...
Atenção: os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró continuam exigindo o hífen.
* Douglas Furiatti é jornalista, dirigente sindical e colaborador do Megafone.
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