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Este espaço inicia hoje uma série de dicas sobre o Português.
Este espaço inicia hoje uma série de dicas sobre o Português, idioma pátrio constituído de regras, exceções, expressões, enfim, de uma gama de “segredos” que muitas vezes confundem, dificultam a vida da população e levam ao cometimento de erros, principalmente no uso formal do idioma, seja na linguagem oral quanto na escrita. * Douglas Furiatti.
“Vítima fatal”
Nesta época, feriado de carnaval, e nos demais períodos do ano em que as pessoas aproveitam para viajar é comum os meios de comunicação noticiarem as operações realizadas pelas polícias rodoviárias (Estadual e Federal) e após o encerramento delas informarem o número de acidentes, de vítimas e de mortes nas estradas.
Praticamente todos os textos, independentemente se de jornais, rádios ou TVs, trazem uma expressão incorreta que se popularizou e parece normal para o público e até mesmo para o jornalista. Trata-se de “vítima fatal”, empregada para revelar quantas pessoas morreram em acidentes.
O equívoco reside no fato de que fatal é o que provoca o óbito, e a vítima é quem perde a vida. Uma coisa é aquilo que motiva uma morte, outra é a pessoa vitimada. Aí a impossibilidade de se usar a expressão “vítima fatal”.
Então, fatal é um acidente, um atropelamento, uma queda, um choque, um afogamento, um tiro, uma facada, enfim, o fato que matou alguém. Portanto, ao se escrever, por exemplo, “o número de vítimas fatais nas estradas paranaenses aumentou este ano”, fica evidente o erro. O correto seria: “O número de mortes (ou óbitos) nas estradas paranaenses aumentou este ano”.
Outro exemplo: “Duas pessoas foram vítimas fatais do naufrágio do bote”. Uma forma certa poderia ser: “Duas pessoas morreram no naufrágio do bote”. E mais: “O trabalhador foi vítima fatal da própria negligência ao não utilizar equipamentos de segurança”. Essa frase poderia ser: “O trabalhador morreu (ou faleceu) em decorrência de sua própria negligência, ao não utilizar equipamentos de segurança”.
Enfim, o ideal é o autor do texto buscar uma alternativa àquela expressão incorreta. Até porque cabe à imprensa primar pela exatidão em suas informações, seja no momento de apurar o fato e ao divulgá-lo. É isso. Na próxima coluna abordarei outra expressão usada de forma errada: “Perder pontos na Carteira Nacional de Habilitação”. Abraço, caro leitor.
* Douglas Furiatti é jornalista e colaborador do MEGAFONE.
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