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A luta pelo guarani
Qua, 15 de Fevereiro de 2012 14:03

Alunos de Letras terão a disciplina de guarani na grade curricular do curso

unila guarani

Com objetivo de fortalecer as lutas em torno do guarani e de incorporá-lo ao contexto latinoamericano, a UNILA passará a oferecer, ainda neste primeiro semestre, o idioma como disciplina obrigatória para todos alunos do curso de Letras, Artes e Mediação Cultural. Essa é a língua materna de cerca de 90% da população do Paraguai, sendo que 30% se comunicam apenas por meio dela.

Para a professora Maria Eta Vieira, a consolidação da disciplina permitirá a quebra de alguns preconceitos, já que o idioma é visto como marginal e primitivo em detrimento ao espanhol, também oficial no Paraguai e muito mais comum. “Não podemos nos esquecer que o espanhol é a língua colonizadora.

As raízes da população, a sua visão de mundo mais original, a sua peculiar ligação com a natureza, tudo isso está no guarani, que não pode ser deixado de lado”, contextualiza a professora. Para somar esforços neste sentido, o quadro de professores da UNILA deverá contar em breve com Mario Ramão Villalva Filho, mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo, aprovado em concurso público recente. “Não será objetivo que os alunos dominem o idioma, mas o respeito e a integração passam por conhecer o guarani e por permitir a eles o encantamento e a identificação”, destaca.

Para Villalva, as lutas em torno do idioma ainda são muitas, sendo necessária a sua inclusão na educação formal, nos meios de comunicação e na esfera política. “O guarani tem se institucionalizado e já conta com dicionário de vocábulos e sinônimos na própria língua. Uma conquista bastante recente e importante”, revela.

Experiência anterior
Maria Eta coordenou um curso sobre o guarani no ano passado. O curso foi ministrado por alunos de diferentes cursos da 
UNILA e contou com a participação de cerca de 30 pessoas, entre estudantes, servidores e a comunidade. “Devemos continuar neste semestre com o módulo dois e outro módulo inicial do idioma. A ideia, ainda, é oferecer outras línguas autóctones latinoamericanas, como quéchua e aymará, específicas do Peru e Bolívia, sempre ministradas pelos alunos”, finaliza.

Fortalecimento
O guarani só se tornou idioma oficial no Paraguai em 1992. Em 2007, tornou-se língua oficial do Mercosul, o que exige que todo documento oficial seja traduzido também para o guarani, além do espanhol e do português. A promulgação da Lei das Línguas, no ano passado, que define o idioma como patrimônio cultural da Nação, auxiliou no fortalecimento do guarani no país.

A lei estabelece a criação de uma Academia da Língua Guarani e três diretorias dentro da Secretaria Nacional de Políticas Linguísticas com objetivos ligados à documentação e ao resguardo do idioma.

Influências
Os resquícios do guarani podem ser observados em nomes de rios e de cidades no Brasil. A exemplo de Pernambuco (mar com 
fendas), Pará (rio), Iguaçu (água grande), Guaratinguetá (reunião de pássaros brancos), Ipiranga (rio vermelho) e Sergipe (rio do siri). Outros vocábulos guarani são utilizados no dia a dia, como nhenhenhém (falatório), pindaíba (anzol ruim), jururu (triste), mutirão (de motirô, grupo de pessoas) e curumim (garoto pequeno).

Publicado originalmente no site da Unila.

A luta pelo guarani
 

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