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Disparo de rap e atitude - Rajada Mc’s
Seg, 17 de Setembro de 2007 00:48
Salveeeeeeee meus drugues, meus irmãos e irmãs de hospício, leitores do fanzine do Cartel. O zine desse mês vem com novidade. É a nossa primeira entrevista, de muitas outras que virão. Nessa edição trazemos as idéias, pensamentos e ideologia do grupo Rajada Mc’s de Campo Mourão, que esteve em Foz no dia 24 de fevereiro realizando um show e nos concedeu essa entrevista.

O grupo que é formado por Careca, Robinho, Neguinho e Dj Papa-léguas estão na correria desde 1997 – com a primeira formação do grupo – e já se apresentam em palcos, profissionalmente, a mais de cinco anos.

Como todas as crianças de periferia, tiveram uma infância muito difícil, sobrevivendo em meio ao campo minado, privados de ter uma pá de coisas que aparecia na Tv e que não podiam comprar. Mesmo com o crime e as drogas sempre muito perto, não se entregaram, resistiram e hoje fazem parte do movimento Hip-Hop e estão do lado daqueles que lutam e buscam melhorias pra sua quebrada. Através de oficinas de Hip-Hop, recrutaram adeptos para o movimento de Campo Mourão e resgataram dezenas de talentos que poderiam hoje estar usando a inteligência para praticar o mal.

Preparem-se para uma rajada de consciência, de informação de atitude, de esperança e de amor.

Lizal - Pra começar: porque o nome Rajada Mc’s?
Careca: Bom, quando a gente começou não tinha um nome definido e o primeiro nome que a gente escolheu era DRN, que seria (Defensores do Rap Nacional); mas durante a caminhada a gente viu que essa parada de sigla aí tava ficando muito comum e inspirado pela música do Consciência Humana, música (rajada), a gente decidiu colocar o nome de Rajada Mc’s. Rajada seria disparo, né meu, de várias coisas, rajada de informação, rajada de atitude, uma rajada só de coisa boa.

Lizal -  Como vocês começaram no rap?
Neguinho: Não muito diferente dos outros manos, também comecei ouvindo, me senti capaz de fazer e comecei a colar junto, conhecer os irmãos que faziam e tamo na correria até hoje.

Robinho: Bom, eu comecei dançando, daí logo surgiu a oportunidade de eu também tá fazendo rima, cantando rap e desde então eu to no Rajada, pá, no corre.

Papa-léguas: Bom, desde as antigas eu já ouvia um pouco de rap através de um amigo meu que ouvia Racionais, né. Aí uma mão ele mostrou pra mim um disco que chamava Raio X do Brasil do Racionais Mc’s, aí eu fiquei curioso pra saber o que que tinha naquele disco, descolei um toca-disco, né meu, e comecei a ouvir, a música rap. Aí eu tinha esse toca-disquinho bem véinho que a gente chamava de Severino, né mano, aí comecei a treinar, a escutar o rap que tinha scratches, as paradas e fui treinando, fui olhando, vendo como é que fazia as paradas e descobrindo como que funcionava a arte dos discos, né, e a partir daí eu conheci o Careca. Aí a gente começou a trocar idéia, trocar informação, aí a gente teve umas experiências juntos, né, se apresentamos em alguns lugares, então eu comecei a participar do rap, fazer o rap junto com eles Rajada Mc’s.

Careca: Bom, eu comecei ouvindo e após alguma época assim, vi a necessidade de começar a expressar o que eu sentia, né, o que eu achava. Então eu escutava rap, gostava e tal, concordava com algumas coisas, mas chegou um momento que eu queria falar sobre minha quebrada, queria falar sobre o que eu sentia, sobre o que eu achava que era certo, meu ponto de vista, aí vi a necessidade de escrever.

Lizau -  Como é a cena do movimento Hip-Hop em Campo Mourão, hoje?
Careca: Então, num passado recente aí, a gente começou com umas oficinas no SESC, eu e o Papa-léguas. E era um grupo pequeno, mas como todo o movimento tem a crescer, né meu, o movimento cresceu e começou a ter algumas divergências ideológicas e hoje em dia cada um tem seu corre. A realidade é essa. Tem os grupos que são aliados, mas cada um defende a sua ideologia e tem seu corre paralelo.

Lizau -  Campo Mourão é uma cidade a pampa? Como é o cotidiano de vocês? Tem muito desemprego, violência? E a polícia é violenta igual em outras cidades?
Careca: Bom mano, polícia é polícia em qualquer lugar, né. Uma corporação que já é treinada pra reprimir mesmo, usar da força bruta, da violência; repressão no real sentido da palavra, né. É o trabalho deles e eles fazem muito mais além do que é o trabalho deles, tá ligado. A nossa cidade não é diferente, tem violência, tem morte, tem desemprego, infelizmente. Tem bastante periferia, poucas favelas, mas nosso cotidiano é violento como tantos outros, tá ligado.

Mesmo assim a gente teve que se esquivar e tentar passar uma mensagem positiva; mesmo a molecada sabendo que é difícil encontrar esperança a gente tenta levar essa mensagem de esperança, falar assim “ainda existe esperança, ainda existe”, porque é que nem dois lados né meu, como tem o lado ruim tem o lado bom. Então se tem a falta de oportunidade, se você fazer o corre você encontra também, então tudo tem vários lados, a gente não acredita que tudo tá perdido. Ainda tem uma esperança.

Lizau -  Quais as dificuldades e barreiras encontradas até hoje na caminhada?
Careca: Bom, acho que a maior dificuldade é primeiramente financeira; mas ao mesmo tempo é a aceitação, né meu, as vezes você faz muito corre, você faz vários corre e você vê que você tá fazendo corre pros outros e as vezes os outros não estão reconhecendo, então isso é frustrante pra caramba, tá ligado. Mas que nem eu falei, a esperança é o que motiva a gente, né meu, então se é difícil, quanto mais difícil for mais a gente luta, porque se fosse fácil não ia ter graça.

Lizau - E as conquistas?
Careca: As conquistas eu acho que é salvar vidas né meu, que nem o Neguinho fala. Com a nossa música as vezes a gente tá salvando vidas; as vezes não, certeza, a gente tá salvando vidas; porque o cara que tá ali num momento de neurose, tá ligado, pronto pra ir pro arrebento, as vezes ele escuta um som, ele para pra pensar uma, duas até três vezes antes de se envolver porque palavra é conforto, né meu e a música da gente é feita de palavras.
E as palavras que são faladas entram no coração do irmão e com certeza muda a atitude, muda pensamentos. Eu acho que o rap tem esse poder; eu acho não, tenho certeza que o rap tem esse poder porque eu e os irmãos aqui somos prova viva disso, tá ligado; poderia tá em outro caminho mas, graças ao rap a gente conseguiu escutar e assimilar, ver o que era certo, o que era errado e hoje a gente tá firmão aí no corre.

Lizau -  Vocês já trabalharam dando aulas para jovens em oficinas de Hip-Hop. Muitos no Hip-Hop se posicionam contra as oficinas; dizem que o rap se aprende na rua, com o sofrimento, com o veneno passado e não em sala de aula. Qual a opinião de vocês?
Careca: Bom, acho que o ser humano tem próprio dele assim um dom desenvolvível, o que eu acho, eu Careca, acho que tem os que nasceram pro baguio e os que podem até aprender a fazer e tal, desenvolver, podem criar o talento, tá ligado. Mas na caminhada todo esse tempo eu vi caras que chegaram e, tipo, começaram a cantar e tal, escrever, mas, foi pouco tempo e desistiram; e tem uns caras que tão hoje, até hoje, lado a lado, que desde a primeira vez que eu vi eu já sabia que tinha o dom, que tinha o rap na veia né, como eu falo, o rap na veia.

Então quando a gente trabalha com oficina a gente já trabalha com isso; a gente já vê os moleque que tem mais facilidade, tá rimando, vê os moleque que tem mais facilidade, tá fazendo scratches, dançando ou grafitando. Então, não é que a gente tá querendo segregar de alguma forma, mas a gente tá querendo descobrir esses talentos porque a periferia é talentosa. Se não tem um cantor de rap tem um jogador de futebol, tem um jogador de basquete, tem um artista plástico tem um ator, tem um cantor.

Então a gente tá tentando descobrir esse talento, com as oficinas é isso que a gente tenta. Se o cara já não tem o rap na veia a gente tenta trabalhar pro cara desenvolver o talento, porque é fácil tá ligado, mas tem que ter o rap na veia, a real é essa.

Lizau -  Outro dia comentei com um truta que em Foz não tem uma cena forte do elemento Break, e não se vê muitos b.boys e b.girls nos eventos. Ele disse que é melhor assim. Disse que muitos b.boys perderam a essência da militância e só dançam pra mostrar o corpo e se mostrar pras minas. Eu não vejo apresentação de Break nos shows que vêm pra Foz. Vocês colocam b.boys no show de vocês. Como vocês avaliam o movimento Break hoje?
Careca: Eu acredito que de todos os elementos esse é o mais complicado, né meu porque... Vamos começar falando de periferia. Periferia é uma linha de pobreza e tal e todo mundo tá ali num anonimato, certo, e muitos tão buscando o destaque. Com o rap você tenta mudar a mente das pessoas como eu já falei. O dj toca a música, o rapper canta o rap, o grafiteiro faz o grafite e o b.boy dança.

O problema que acontece e o que a gente mais vê na caminhada viajando, indo em shows, é que, que nem você perguntou, os b.boys esqueceram da militância e tão dançando apenas pra se mostrar. Não vou falar que não tem rappers que cantam pra se mostrar, porque também tem. Mas o que acontece, é que, o que o Break pode trazer de bom pra cultura? Se for trabalhado uma consciência, tá ligado, que nem um professor de capoeira, que trabalha passando de cordão em cordão até chegar a mestre, o b.boy tem uma meta. O b.boy começa a dançar até chegar a ser um professor de Break e tá tirando a molecada dum caminho errado pá tá dançando Break, entendeu, pra encaminhar essa molecada.

O que eu tenho pra falar é o seguinte: B.boy, você tem a hora, o lugar e a música pra dançar, tá ligado. Porque se você dançar na hora errada, na música errada, no lugar errado, todo mundo vai pensar que você tá querendo se aparecer, a realidade é essa, porque a periferia é crítica, tá ligado e o que a gente mais vê é isso. O cara começou a querer dançar num canto ali, “tá se mostrando”. Então, o Rap mano, o Break, o Grafite, o Dj, o Hip-Hop é nossa coisa querida, tá ligado, é nossa jóia rara, tem que ser mocado mano, não pode ser mostrado em qualquer lugar, qualquer momento, tá ligado. Tem que ser reservado mesmo só pra quem é merecedor de ver o baguio acontecer.

Então o que a gente mais vê é isso, os b.boys, no real sentido da palavra, denegrindo a imagem do Break. Eu conheço muito b.boy que é sangue bão, mas também conheço muito moleque que não é nem b.boy, tá ligado, pra mim são “b.bobo”, tá ligado, que só quer se aparecer; a realidade é essa. Os b.boys que colam lado a lado com nós no show é o mano Sandrinho e o mano Naldinho que tem um conhecimento do Break, são estudado e eles fazem um barato mil grau, quem já curtiu um show nosso viu qual que é a cena. Eles têm consciência da militância, têm consciência do que é o Hip-Hop, do que é o elemento Break. Já foi falado uma certa época que a gente não gosta de b.boy, no caso eu, Careca, não gosto de b.boy. então eu falo: eu não gosto de b.bobo, mano, tá ligado.

Lizau - Como foi a infância de vocês?
Robinho: Bom, no começo foi meio sofrido, teve uns desacertos com meu pai e minha mãe, meu pai bebia muito daí em casa era muito complicado. Mas depois que minha mãe se separou do meu pai, daí a minha infãncia foi mil grau, daí foi mais legal.

Neguinho: Bom, pouca coisa eu lembro da minha infância né, o que eu lembro eu preferia esquecer mesmo, mas... É assim, tipo, meu pai era muito violento, bebia, chegava muito loco em casa, espancava minha mãe, espancava eu, tá ligado. Então eu não tenho muito o que dizer da minha infância, as coisas boas eu guardo pra mim, certo, pra mim lembrar na hora certa, no momento exato. O que eu tento fazer é não passar o mesmo veneno pra minha menina, tá ligado, minha filha. O que eu vivi não quero que ela viva hoje, certo.

Papa-léguas: A minha infância talvez não tenha sido tão difícil quanto a dos manos aqui, né mano, pai violento, bebida e tal. Mas, desde moleque eu sempre tive noção que eu não ia poder ter uma pá de parada que vários vizinhos tinham, né mano. A fita de uns carrinho loco, televisão colorida, video-game e pá. Então foi sempre sofrido, né mano, a minha família sempre foi, digamos assim, nunca teve bons recursos e a gente foi conquistando as coisas que a gente queria com o tempo, com o esforço da família toda.

Até que eu se toquei que pra conseguir as coisas que eu queria video-game, bicicleta, esses baratos, eu ia ter que correr atrás, né mano. E quando a gente é meio moleque a gentenão pensa direito, né mano, quando a gente quer algum barato a gente faz coisa que não deve, né mano, e até hoje eu sou arrependido desses atos, né. (risos - morre aqui!!!). mas graças a Deus a minha infância foi bem a pampa mano, eu graças a Deus consegui os baratos que eu queria e venho conseguindo até hoje mano, e é isso aí.

Careca: Bom, tem o lado bom e o lado ruim né mano, criança brinca, tira onda tudo, pá, mas impossível esquecer dos veneno né irmão. Eu acho que resumindo até o pensamento dos quatro irmãos aqui é, família desustruturada, tá ligado. Eu não sei o que é família. Eu sei o que é você ter uma mãe que te ama, coloca você no mundo, te sustenta, te educa, tá ligado. Sei o que que é isso, sei o que é amor de mãe, isso eu sei até demais, tá ligado.

Mas minha infância foi meia conturbada, tá ligado, cabuloso você vê sua mãe, seu tio, seu vô, juntando dinheiro pra comprar um brinquedo pra você, tá ligado, psicológico abala, né mano, pra uma criança isso é pesado. E outro dia eu tava até comentando com o Robinho, né mano; eu falei, ô, cabuloso agora você tem filho, né mano, você vê o que seu pai e sua mãe passou, tipo sua mãe passou, pá... o que é a frustração, né meu, que causa na mente de um ser-humano, uma criança querer um brinquedo e você não ter condição de dar, né meu. Na época que eu era criança eu não entendia isso, né, queria porque queria o brinquedo e tal, não sabia qual que era a dificuldade.

Quando eu era criança eu queria crescer logo, tá ligado, pá não estudar, pá só ter que trabalhar e nem sabia qual que era do veneno, né meu, se eu pudesse voltar atrás eu ia teraproveitado mais, a realidade é essa. Mas a nossa infância lapidou nosso futuro, né meu, se a gente tá dentro do rap eu acredito que foi a forma que a gente encontrou pra se refugiar, tá ligado, e falar tudo que tá engasgado desde criança; eu acho que gera uma revolta, tá ligado, família desustruturada gera uma revolta, uma infância perturbada assim gera uma revolta, tá ligado, e quem se revolta não guenta e acaba colocando a boca no mundo, né meu, e é isso que nós faz com o rap; denunciar pra que muitas crianças não passem pelo que a gente passou, né meu... desustrutura familiar, a cena é essa, tá ligado, porque o que a gente mais vê é os manos se envolvendo com as minas e acabam tendo... tá ligado... não tá lado a lado ali quando nasce a criança, então isso eu não quero pra um filho meu, tá ligado; se um dia eu tiver um filho eu quero tá com a minha mulher e com meu filho junto, não quero que meu filho passe o que eu passei.

Lizau - Realidade Cruel cantou: “Toda vitória tem seu preço”. Gabriel Pensador cantou: “Meus ideais valem mais que minha privacidade”. Mano Brown disse “Que saudades que eu tenho de quando eu era só mais um andando na multidão, desconhecido”. Vale a pena sacrificar algumas coisas pra conquistar outras? Se vocês pudessem voltar no tempo, vocês voltariam?
Neguinho: É irmão, tipo, vale a pena irmão, vale a pena se o que você tiver querendo conquistar seja uma coisa boa, certo. Se eu pudesse voltar no tempo, certamente eu não teria me envolvido com droga, não teria roubado, não teria feito muita coisa ruim que eu fiz, teria sim feito mais as coisas boas, certo.

Robinho: Eu não voltaria no tempo não, se eu voltasse no tempo sem o rap, hoje eu ia ganhar um caixão, pá, não sei. Mas hoje, tipo, o rap me salvou e eu sacrificar qualquer coisa pra ele, pra mim não é ruim, qualquer coisa vale a pena.

Papa-léguas: Bom, como o Robinho falou eu acho que também não daria pra voltar no tempo porque... se a gente tá hoje aqui junto, né mano, fazendo rap, independente de onde mora e o que tem, né mano, foi consequência de coisas que aconteceram desde o começo; de passar por problema, roubar, se envolver com droga e... bom, eu acho que não daria pra voltar atrás não mano, porque se tudo aconteceu do jeito que aconteceu e a gente tá aqui hoje mano, junto fazendo o rap é porque era pra acontecer mesmo, tá ligado; passar por veneno dificuldade, crime, droga, porque se não tivesse o crime e a droga a gente não teria ouvido o rap, né mano, e se a gente não tivesse ouvido o rap a gente não tava aqui. Então se hoje a gente tá no rap fazendo o que a gente faz porque gosta e com vontade né mano, e é o nosso objetivo é a nossa profissão hoje mano; a gente tenta fazer de forma profissional e eu acredito que a gente tem um trabalho e um produto bom, né mano, é consequência de esforço; então dá pra abrir mão sim de várias coisas que a gente quer, de posição social, enfim, de amizades, de lugares, né mano, pelo rap. E acho que a gente tá no lugar certo, fazendo o que a gente gosta e eu tenho certeza que todos os manos aqui abriria mão de várias fita pelo rap.

Careca: Então, assim como o Brown disse que tem saudade, né mano, eu também tenho, da época que eu dava um rolê, os cara não me olhava com inveja, as mina não me olhava com interesse; mas como eu disse, nosso passado lapidou nosso presente e nosso futuro, né mano. Uma mão eu e o Robinho tava num pião e os polícia tava perseguindo nós memo, tá ligado. Nós ia pá um lugar e os polícia passava, nós ia pra outro e os polícia passava, e nós se escondemos numa lanchonete e os polícia passando, rodeando, passando em frente da lanchonete e eu falei: ô Robinho essa é a vida que nós escolheu, né mano, nós não temos como fugir disso, tá ligado.

Então a vida que nós escolheu é essa; então a gente arca com as consequências. Voltar ao passado, jamais, tá ligado. Eu não me arrependo de nada do que eu fiz, tá ligado, eu sou um cara que jamais me conformei com arrependimento, tá ligado. Se eu fizer uma coisa, se eu errar, vou errado até o fim, tá ligado, mas me arrepender eu nunca me arrependo não.

Tudo o que o rap deu pra nós é o que nós tem hoje, desde você conhecer vários irmão, viajar, tá ligado, dá risada, sofrer também, passar raiva, tipo... conviver, tudo isso é o rap, né meu, se não fosse o rap eu não sei nem se eu estaria vivo hoje, a realidade é essa. Porque a gente não sabe como você vai na caminhada, periferia é foda né mano, é tentação né meu, dinheiro, tráfico, dinheiro fácil, crime, então é aquilo né meu; ou você se envolve com as paradas erradas ou você tenta ir na contra-mão mesmo mano, porque o bagui é osso, tá ligado, é difícil.

Lizau - A respeito da mídia, mas precisamente a televisão. Uns irmãos são contra os rappers irem na televisão: “O rap nunca dependeu disso”. Outros são a favor: “Se o rap não for o pagode vai, o funk vai”. Qual a posição do grupo Rajada Mc’s?
Papa-léguas: Bom, eu acho que é o seguinte né mano, eu acho que a gente concorda que... a mídia, independente de ser televisão, rádio, enfim, rádio comunitária, toda a mídia, é através da mídia que se divulga o trabalho dos artistas. O que acontece é o seguinte mano, a mídia, televisão, a maioria das grandes emissoras, dos grandes nomes, eles tentam tipo... eles tentam explorar.

É tipo uma fase. A tevê explora o Funk, depois explora o Pagode, depois explora o Sertanejo; aí chegou uma mão que os cara tentou fazer isso com o Rap, certo. Que que acontece? O Rap não deixa ser explorado, entende mano. Alguns rappers vão na televisão, a gente já viu Helião e Negra Li, já viu o Mv Bill; a gente pode citar o exemplo do Mv Bill, tá ligado, que soube ir na televisão, que soube falar sobre o Rap, sobre a luta, sobre a militância e conseguiu um espaço importante na mídia, isso daí é válido tá ligado.

O que o Rajada Mc’s pensa a respeito disso: eu acredito que a gente só irá e já foi, né mano, na televisão, nas televisões que respeitam nosso trabalho, que respeitam a nossa correria, a caminhada; pessoas que apresentam programas, tá ligado, que conhece o rap, sabe da correria, da ideologia e através da televisão que a gente tenta passar essa imagem, passar o que é o rap, o que é a música, a conscientização através do rap, tá ligado. E a gente só vai em televisão e em rádio que nos dê este espaço e que respeite o nosso trabalho e a nossa correria e principalmente o Rap e a cultura Hip-Hop.

Lizau -  “A Chave é a União”,. O que essa frase significa pra vocês?
Robinho: Frase bem loca né, bem forte, muito forte; mas, pá nós que é guerreiro, pá nós que têm consciência. Infelizmente pá alguns cara a chave é a união é só um monte de letra; só um monte de letra jogado no ar. E infelizmente, esses cara não entendem isso, a força dessa frase... então a união vai ser essa que você tá vendo mesmo, ou seja: sem união no rap.

Lizau -  “Você é o que você veste”. O que essa frase significa pra vocês?
Papa-léguas: Bom, o que eu acho e que todos os manos aqui deve concordar, eu acho que pelo menos pra mim, a roupa não é necessariamente o que você veste, eu acho que a gente vai ser sempre mais que a roupa, tá ligado. Mas o que eu acho é que é o seguinte, todas as tribos, né, se vestem de forma diferente. Os manos do Punk vestem roupas pretas, os cara do Rock. Cada grupo, cada determinado tipo de tribo, se vestem de uma forma, tá ligado; uns em forma de protesto, outros enfim, por ideais e cores, e tal, mas o que eu acho é que a gente se veste do jeito que a gente se sente bem, tá ligado, independente de marca a gente se veste do jeito que a gente gosta.

Careca: E é isso, a gente se veste da forma que a gente se sente bem, tá ligado. Se você catar e jogar sua roupa no canto ali, mano, a sua ideologia não tá na sua roupa, a sua ideologia tá dentro da sua cabeça, morô mano. A questão da gente se vestir de roupa larga, bombeta, corrente, tá ligado, jaqueta, pá né mano, é questão da identificação, né mano; se você ver um cara de chapéu, calça atolada, pá, camisa, você sabe que é calboy né mano; se você vê um cara de bombeta, de toca, tá ligado, com uma lupa, pá, você sabe que o cara é do Rap, do Hip-Hop, é uma questão de identificação. Mas, a roupa não é tudo, mano, o que importa é a ideologia, o que você tem dentro da sua cabeça.

Nem sempre o rótulo é a mesma fita do produto, certo mano; as vezes o cara pode se fantasiar de rapper, mas não ter o baguio dentro do coração, a raiz é o coração, tá ligado. Já disse DMN, né meu: “marginal tem estilo, ninguém consegue imitar”, tá ligado. Eu vejo vagabundo andando de toca, chinelo, tá ligado, bermudão e você vê que o cara tem estilo; e eu já vi vários boy fantasiado de rapper e cê vê que o cara não tem a essência, não tem o baguio no coração. Então pode vestir, eu acho que a roupa pode ser uma identificação, mas você trocando três palavras com o mano você vê se o cara é ou não é.

Lizau - Qual a influência do grupo e o que vocês escutam no dia a dia?
Robinho: O rap como sempre influencia forte, né mano. Eu gosto de curtir Realidade Cruel, gosto de curtir Racionais, SNJ... tem muitos grupos que eu gosto de curtir e eu não me recordo aqui na hora.

Neguinho: Bom, hoje to curtindo mais rap gringo, as levadas, as batidas, o jeito que os cara cantam, mas sem esquecer do nacional também que desde o começo quando eu comecei a escutar rap eu sempre escutei Sabotage, Realidade Cruel, Racionais, entre outros aí.

Papa-léguas: Pra mim né mano, que sou dj tenho que escutar vários tipos de som; rap né mano, escuto bastante rap nacional, bastante rap internacional também, alguns rap das antigas; pra mim influencia da seguinte forma, na produção musical, né mano. Os timbres, as batidas, o suingue das batidas, então eu ouço bastante tipos de rap nacional e internacional e junto tudo isso aí, né mano, e tento por na produção do nosso grupo. Também escuto um pouco de Música Clássica, tá ligado, MPB, Chorinho, e tal, sempre tem várias paradas legais nesses gêneros de música, né mano, que eu posso tá aproveitando pra melhoria da qualidade musical do grupo.

Careca: Então mano, pra mim, fonte inspiradora, primeiro lugar 2 Pac, mano, isso é incontestável, os manos sabem que eu escuto e as vezes até a minha mãe fala: “ôloco, você não enjoa”, pá; mas eu escuto porque é muita música, é música boa, é sentimento, né meu, tento fazer um rap com sentimento. Fora isso escuto outros gringos também, Dr Dree, Wu Tan Clan, The Game; gosto de Eminem também, tá ligado, não o Eminem pop, o Eminem mais mocado assim, e tal, as músicas menos ouvidas.

Mas o que bate forte é o nacional, né cara, então minha inspiração é Inquérito, Realidade Cruel, Facção Central, Racionais; uma certa época foi SNJ, hoje não é mais, tá ligado... Crioulo Doido, curto também, um pouco de Slim Rimografia, são caras inteligentes, né, a cena underground os caras são inteligentes pá caramba. Mas ultimamente em casa o que eu tenho escutado é muito rap do Paraná, né mano, desde Mandamentos da Rua, Conexão do Gueto, Verso Agressivo; escuto nossas músicas também Rajada, Atitude Consciente, Will No Control, Federação República.

Escuto os rap do Paraná também porque é uma identificação, né mano, e eu gosto de escutar essas músicas, tá ligado, eu vejo que os cara tão fazendo música de qualidade, então eu me inspiro com isso...

Lizau - Tem uma rima do Mc Careca que diz: “Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos”, no universo do Hip-Hop quem corre atrás alcança os objetivos, ou não tem espaço pra todos?
Careca: Então mano essa frase aí, na verdade é do mano Tiagão, né cara, que ele disse num momento do lançamento do nosso segundo CD O Tempo é Rei, ele cantou, participou, daí ele falou essa frase, né, que Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos. Ele disse que nós seríamos os escolhidos de Deus e tal.

É que nem aquela fita que eu falei né mano, o ser humano tem o dom desenvolvível, mas, tem os que nascem com o rap na veia e tem os que não nascem mas desenvolvem e tenta resistir na caminhada, né meu; não é difícil fazer rap hoje em dia; é que nem a frase do mano Will, ta ligado, rimar é fácil, difícil é te fazer pensar, né meu. Então hoje em dia é fácil rimar; pega uma base gringa, pega uma idéia do Eduardo (Facção Central), uma idéia do Brown (Racionais Mc’s), uma idéia do Helião (RZO), e você mistura tudo ali e faz o seu rap; mas você ter sua ideologia própria, você ter o seu ponto de vista, você ter o seu pensamento, isso é difícil.

Mais difícil ainda é você manter isso, você resistir, ta ligado; é resistência. Porque eu já vi muito, a gente trabalhou mano, viajando com oficinas a gente viu vários grupos começar e terminar, ta ligado, porque os caras não resistem mano. Vai falando, vai falando, vai falando, e quando é falso mano, quando não é de coração, tá ligado... porque é o seguinte, você pode até falar um bagulho, tá ligado, palavra é fácil você fala, mas se no seu coração você não sente, com o tempo aquilo corrói, ta ligado. Se no seu coração a raiz do baguio é de verdade, vai persistir até o fim dos tempos mano. Porque no futuro próximo mano, só vai sobreviver os escolhidos mesmo, o espaço vai ser só pra quem é.

Porque o que a gente mais vê hoje é a pobreza da música; tipo, falta de qualidade musical, batida, vocal, refrão ruim, tá ligado, e os cara pensa que ta bom e vai enfiando aquilo goela abaixo dos irmão e não é assim cara; tudo tem... é por etapas, ta ligado, desde a criação, ensaio, gravação, show. Então os irmãos têm que entender isso, tá ligado. Não é só fazer rima e já querer gravar CD. É o que eu mais vejo; mano que começou ontem, pegou umas base gringa aí, pegou umas idéias e ta rimando e já: “Não, pá, eu vou lançar CD, DVD, Vinil e vou fazer clipe” e não é por aí mano, o bagui é no sapatinho, é uma evolução; é um passo atrás do outro, é passo de formiga, se der passo de gafanhoto vai cair.

Lizau - Qual a proposta e o objetivo do grupo?
Careca: Bom, resumindo é fazer as pessoas pensar, né meu, mudar pensamentos, tá ligado, e trazer esperança pros irmãos que não tem, porque o que a gente mais vê é isso; falta de esperança, falta de auto-estima e falta de fé no futuro. O cabuloso é que nós tamo envolvidos na mesma cena, ta ligado; temos vários problema pessoal e é cabuloso você ouvir um barato que você fez pras pessoas terem esperança e as vezes você não tem.

Mas ao mesmo tempo as palavras nossas servem pra nós mesmos, ta ligado, então acho que o objetivo nosso é esse, mudar a mente das pessoas e fazer as pessoas acreditarem que tem esperança sim, como tem o lado ruim tem o lado bom, ta ligado, se tem traíra, tem os aliados; se tem mina falsa, tem mina firmeza; se tem problema, tem solução. Então a vida tem vários lados, ta ligado, sempre tem uma opção, nunca tem só um lado, tá ligado, é um equilíbrio; tem diabo, tem Deus; tem o caminho errado, tem o caminho certo; tem quem atrapalha mas tem quem ajuda; então acho que nossa proposta, resumindo a idéia dos quatro é isso. Não vem falar que tá tudo perdido, que não tem solução porque tem, mano. Tem sim. Se você procurar tem. A idéia é essa.

Lizau - O que falta pro Hip-Hop paranaense criar sua própria identidade?
Careca: Bom, tem que ser mais ousado, né cara, tem que parar de... puta é cabuloso falar isso né, tá ligado, mas o que a gente mais vê: vem um show lá de São Paulo você gasta aí oito mil real, dez mil real, traz o show de São Paulo, da hora né mano, os cara vem canta, é show loco, é de São Paulo famoso e pá, saiu no Espaço Rap e tal... aí os cara vai embora, e aí mano? Tá ligado, um fica olhando pra cara do outro, e aí? Tá ligado: “Oh, eu abri o show do DBS”, “Ah, eu abri o show do Racionais”, e aí, né mano, qual o nome do Paraná que se destaca na cena? Você fala de Rio Grande do Sul você lembra de quem? Do Da Guedes, Nitro Di, Jackson; Rio de Janeiro, Mv Bill, ta ligado; São Paulo, vich!!! Perde a conta se for citar; até lá pro Nordeste tem, ta ligado, mas e no Paraná? Quem se destaca no Paraná? Curitiba mano, Curitiba pode ter grupo bom, mas eu falo mano com convicção que tem grupo muito melhor no interior do Paraná, mano, ta ligado.

Então é isso que a gente quer buscar, uma identidade do interior paranaense, tá ligado. Dos cara a nível nacional falar: “Oh, Paraná, quem que tem no Paraná?” “Ah, no Paraná tem Mandamentos da Rua, no Paraná tem Tiagão, tem Rajada”, ta ligado. É isso que a gente quer ouvir, ta ligado, o Paraná ser colocado no mapa, ta ligado, porque ultimamente o que a gente vê é isso, a gente traz grupo de São Paulo firmeza, show da hora, loco, é de São Paulo; os caras vão embora e a gente continua no mesmo cotidiano, ta ligado. Então a gente tem que fazer as coisas acontecerem aqui no Paraná pra daí um dia... por um acaso eu tenho uma pergunta: alguma vez um cara do Paraná foi fazer um show em São Paulo? Algum grupo do Paraná foi lá fazer um show em São Paulo, os cara de São Paulo bater palmas pra nós? Não mano, ta ligado. Não sou nem loco de querer bater de frente com os cara, que os cara que inventou os baguio né, os cara de São Paulo. Mas acho que aqui no Paraná tem talento também.

Papa-légua: Bom, posso complementar aqui a idéia do Careca que é o seguinte, né mano, pro Hip-Hop do Paraná ter identidade ele tem que ser visto, mas pra ele ser visto as pessoas que produzem eventos no Paraná tem que se conscientizar que a gente tem que valorizar a gente mesmo, tá ligado. Tem que produzir shows dos grupos daqui mesmo, tá ligado, até mesmo pra incentivar, porque se você não produz os grupos daqui, não investe os grupos daqui, nunca vai ter uma identidade, mano.

Eu acho que já tá na hora dos cara começar a se preocupar em valorizar o talento local, tá ligado, o talento do Paraná, pra que esses grupos daqui um dia tenha uma posição legal e que o Hip-Hop do Paraná seja forte e reconhecido.

Lizau -  Vocês que viajam por todo o Paraná apresentando-se e acompanhando a cena, cite alguns grupos que na opinião de vocês tem tudo pra se destacarem no cenário nacional, mas ainda não foram reconhecidos?
Careca: Bom, falando por nós aqui, o que a gente escuta e o que a gente sente que pode dar certo, que a gente apostou, os parceiros que colam com nós, que a gente produziu... Mano Tiagão (Paysandu), indiscutível, tem talento vocal, rima, tá ligado. Mandamentos da Rua (Foz do Iguaçu) é bom, Federação República (Ponta Grossa) é bom. Verso Agressivo (Cianorte). Conexão do Gueto (Umuarama).

Somos suspeitos de falar: Rajada Mc’s, mas humildemente a gente acha que também tem pra trocar e... vários irmãos, vários irmãos, resumindo eu acho que a cena do interior do Paraná tem tudo pra dar certo. Basta apenas ser ouvido e visto. Então a gente ta tentando, com esse festival (Rap é o Som Festival) a gente tentou fazer isso, tá supervalorizando os talentos do interior do Paraná e colocando o interior do Paraná no mapa do rap nacional.

Lizau -  “Porque a cor incomoda?”. Na música do grupo Alternativa C, vários irmãos de pele branca e negra são convidados para rimar, pra debater sobre o assunto da cor da pele. Uma mão o Sabotage disse que “Na bolinha do olho a gente vê quem é quem”, no som da Nega Gizza ela canta “O rap não é perfeito, assumo o meu preconceito, é som de preto”. O rap é só para negros? Qual o pensamento do grupo?
Neguinho: Bom aqui é o Neguinho Mc, né meu, o próprio vulgo já diz “Neguinho”. Eu acho que tipo assim, não importa a cor da pele, não importa a cor do olho, não importa irmão. O que importa é que o sangue é tudo vermelho, certo, todo mundo tem sangue vermelho; tudo o que você tem o outro tem também, todos somos filhos de Deus e eu acho que quem tem talento de cantar rap, de ouvir rap, mano, não é a cor, não é o sexo, não é o tamanho, não é nada disso que vai influenciar; vai da ideologia da pessoa.

Lizau - Pra terminar, deixem uma idéia pros leitores do fanzine?
Neguinho: É mano, primeiramente, agradecendo aí ao mano Lizal, certo, agradecendo ao trabalho, a atitude que ele tem de continuar esse trabalho apesar de que a gente sabe que não é nada fácil, né irmão; porque nada que a gente tenta fazer pelo rap, pela sociedade mais pobre ser reconhecida, é fácil. Deixo um salve pros leitores do fanzine, certo, um salve pros manos de Foz, um salve pro interior do Paraná, certo. Aqui fica o salve.

Robinho: Bom, eu queria mandar um salve pra todos os leitores do fanzine, todos os loko de correria de Foz do Iguaçu. E salve Lizal, valeu pelo corre que você faz aí, um trabalho bem firmeza memo. E é só isso memo, um salvão de coração.

Careca: Então né mano vou dá aquele salve de saidera aí e agradecer o mano Lizal pelo corre, a gente tava devendo essa entrevista faz tempo, mas é de coração e é informação, né mano; dá um toque pros irmãos valorizarem porque o baguio vai de mão em mão e você passa pro irmão e continua com ela. É informação, certo, vamos valorizar o fanzine aí, tirar Xerox, ta ligado, fazer o corre porque o baguio é loko, né mano.

A gente queria fazer isso aqui em Campo Mourão, mas ainda não temos condições, mas o Lizal tá de parabéns aí e vocês tem que valorizar isso, certo. Vou dar um salve especial aí, é foda citar o nome de quebrada, mas a gente tem um carinho especial pelos manos do Cidade Nova aí que colou no nosso show e cantou as músicas junto, foi sem palavras, certo. Os manos do Jd. São Paulo, tá ligado, os irmãos da Laysla Hip-Hop, o Márcio, tá ligado. De coração aí, Robinho Fernando e mano Egon do Mandamentos da Rua.

As Guerreiras da Periferia, a Carol, tá ligado, é tanta gente pra citar né mano, então a gente não quer ser injusto. Então resumindo, tá ligado, eu queria dizer que se você sente você é, tá ligado. Então de coração, a gente ama a todos, respeitamos todos, ta ligado, não vou falar que não vou citar nome porque já acabei citando, né mano, mas é isso. Que Deus abençoe a todos e a palavra é “resistência”, resistência na caminhada. Muita fé em Deus, beijo no coração de todos aí, muita paz.

Papa-légua: Bom, firmeza aí mano Lizal, gostaria de agradecer você aí pela oportunidade de tá podendo divulgar o nosso trabalho aí através do fanzine que é um trabalho sério e importante pra divulgação da cultura Hip-Hop, ta ligado. Quero deixar um salve aí pra todos os manos de Foz do Iguaçu, das três fronteiras e gostaria de deixar aí um toque, tá ligado mano.

Os grupos que tão na correria, que vão começar a fazer correria, vamos se ligar mano, vamos começar a se preocupar com qualidade musical, produção musical, batida produzida, tá ligado. Porque tem que começar certo e do jeito certo, esse negócio de ficar pegando bases gringa já era mano. Você que faz rap encima de base gringa, ta começando fazer encima de base gringa, o seu espaço vai ser cortado mano, então começa a fazer certo porque lá na frente mano, só vai ficar os caras que tiver qualidade musical. E se você tiver qualidade musical (hehe) como diz o Brown, lá na frente nós vamos se cruzar, firmeza. Paz a todos.

Entrevista extraída do fanzine Cartel do Rap Disparo de rap e atitude -  Rajada Mc’s
 

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