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Home Entrevistas A Libertação deve se inspirar no Evangelho e não em Marx - Dom Laurindo Guizzardi
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Seg, 28 de Maio de 2007 00:56 |
Bispo diocesano da Igreja Católica de Foz do Iguaçu, dom Laurindo Guizzardi iniciou a trajetória religiosa ainda adolescente em sua terra natal, Nova Bassano (RS). Em mais de 50 anos dedicados à fé cristã na igreja, acumulou diferentes responsabilidades como vigário geral, professor de filosofia, vice-reitor de seminário, conselheiro provincial, padre, encarregado de pastoral e atualmente bispo da diocese em Foz. Guizzardi assumiu o cargo em 3 de março de 2002, ao receber o cajado de dom Olívio Fazza, hoje bispo emérito, que acumula ainda a função de vigário geral da diocese da cidade. Megafone o entrevistou na última sexta, dia 25, na cúria diocesana, localizada na Vila Maracanã. À vontade durante a conversa, dom Laurindo falou sobre os conflitos sociais, a perda de fiéis, as intituladas seitas religiosas, entre outros tópicos. A tônica do discurso se ateve principalmente ao papel da Igreja Católica para oferecer esperança, força, afago e direção aos angustiados, diante dos milhares de conflitos sociais registrados. A entrevista ocorreu poucos dias depois da visita do papa Bento XVI ao Brasil, que reforçou alguns princípios da Igreja Católica. Muitos destes conceitos são considerados arcaicos e retrógrados mesmo por muitos fiéis e seguidores do clero, como a proibição do uso de preservativos, relação sexual antes do casamento e a condenação ao aborto em situações extremas. A entrevista analisou ainda a visita do papa ao país e os debates ocorridos na V Conferência Geral em Aparecida do Norte (SP), evento que contou com a participação do religioso. Megafone - Para o senhor, o que representou a viagem do Papa ao Brasil? Dom Laurindo - A visita do papa foi muito importante para a Igreja Católica. Este evento deu uma grande projeção a Igreja. Pôde demonstrar os trabalhos que os católicos vem desenvolvendo em todo o Brasil. Megafone - O que a Igreja Católica tem feito para conter a saída de fiéis, para outras religiões? Dom Laurindo - Esse é um assunto que preocupa muito a Igreja (Católica). Há uns anos tínhamos 90% da população brasileira. Hoje de acordo com as últimas pesquisas, temos em torno de 70%, outra já diz que temos menos. Mas, por outro lado, a Igreja também não pode ficar preocupada com a quantidade. Claro que a quantidade dá um certo respeito. Acredito que umas das prioridades deve ser a evangelização, através da Boa Nova deixada por Jesus Cristo. Megafone - O que o Bento XVI quis expressar quando disse “seitas” religiosas? Dom Laurindo - Ele se referiu às religiões fraccionadas, que são os movimentos religiosos independentes autônomos. Esses movimentos autônomos, não possuem uma estrutura com a Igreja Católica, que é formada pela hierarquia: Vaticano, Dioceses, Paróquias, Igrejas e Fiéis. Neste sentido, as seitas impedem a concretização da boa nova pregada por Jesus Cristo, que pretende ter um só rebanho. Por isso, a Igreja vê na multiplicidade religiosa um embaraço ao projeto inicial deixado por Cristo, de ter todos em uma única direção: o criador. Megafone - O senhor compartilha da Teoria da Libertação? Laurindo - Não compartilho dessa teologia, que prega a revolução, a luta de classes, e é representado por pessoas que se dizem católico. Para essa Teoria ser eficaz, ela deve se inspirar no Evangelho, e não no livro, O Capital, de Karl Marx. Megafone - O recado dado pelo Papa aos traficantes será ouvido? Dom Laurindo - Esse recado foi dado por ele na fazenda Guaratinguetá (SP) aos despachantes de drogas, a santidade deixou bem claro que estes homens estão afetando a vida da comunidade e terão que prestar contas a Deus. Acredito que alguns despachantes ouviram e sentiram que estão pecando. Eles possuem ciência para saber o que fazem, e que estas atitudes são incorretas, injustas e maldosas as pessoas. Megafone - O que a Igreja está fazendo para aumentar o número de fiéis? Dom Laurindo - Esta não é a meta da Igreja, claro que a perda de fiéis, é uma medida para orientação da Igreja. Com a beatificação de Frei Galvão muitas pessoas poderão reavivar suas esperanças e fé na religião católica. Toda nação tem seus ídolos, como no Brasil teve Duque de Caxias, a Igreja Católica do Brasil precisava de um modelo de espelho, agora temos. Megafone - Qual a mensagem que o senhor deixa aos angustiados, aos desempregados, drogados, e as famílias que passam por dificuldades financeiras e de convivência? Dom Laurindo - Cada um deve fazer sua parte e as autoridades devem olhar para as necessidades reais destes grupos. Assim estaremos unindo forças para chegar a uma sociedade com direitos e deveres. Deixando aptos cidadãos a serem missionários de cristo. (www.megafone.inf.br – Wemerson Augusto)
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