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Vejo underground num momento delicado - Barata (Junior de Oliveira)
Sex, 25 de Maio de 2007 00:58
O movimento underground, contracultura ou mesmo cultura alternativa para muitos seguidores declina nos últimos tempos. O submundo parece mesmo o lugar perfeito para ideologias que continuam marginalizadas e distantes da sociedade.

Em Foz do Iguaçu, o cenário vai de mal a pior e segue nebuloso. Bandas perderam espaço, o público fiel reduziu-se e as produções do meio são raras e inexistentes, nos últimos anos. A visão negra e nada promissora do cenário alternativo pertence a um dos mais ativos promotores do movimento na “Terra das Cataratas”.

Idealizador do site Foz Underground, que passou há menos de um mês por uma transmutação, Junior de Oliveira, mais conhecido no meio como ‘Barata’, concedeu uma entrevista relâmpago ao Megafone, em que critica os meios de comunicação que esqueceram a contracultura iguaçuense, a omissão em determinados casos do poder público e a integração com o Paraguai. Confira abaixo o rápido bate-papo com Barata.

Megafone - Então Junior como você avalia a nova geração underground de Foz?
Barata -
Vejo a mesma num momento muito delicado, onde a cultura foi esquecida, os usos e costumes deixados para traz. Talvez isso se deve pela influência da mídia na cabeça das pessoas (RS)... não costumo pensar dessa forma, mais quanto mais olho para a cena underground local e nacional vejo que os meios de comunicação que mais deveriam apoiar a cultura, vem fazendo com que as mesmas estejam em extinção. Por outro lado, vejo que hoje temos diversos lugares aonde ir, uns com intuitos financeiros, outros, financeiros e culturais. Há lugares onde ir, curtir uma banda, curtir um som, levar a bolachinha e pedir para rolar, coisa que em muitas fases de nossa cena não obtínhamos, ou seja, tudo está mais fácil, e talvez isso faça com que o valor cultural entre em extinção.


Megafone - Você acha que melhorou o nível de estrutura dos locais para promover shows e eventos do gênero? Barata - Não nesse sentido. Hoje disponibilizamos de vários pubs, onde rola apresentação de bandas, porém as capacidades dos mesmos são bem menores que os lugares que eram de costume rolar shows, porém o público atual é menor e mais fiel que o publico de alguns anos atrás. Alguns lugares comportam determinados shows, mas para as bandas locais estarem se preparando para ganhar experiência e poderem mostrar a cara lá.

Megafone - Olha só. Corrige-me se eu estiver errado, mas parece que as bandas do Brasil e Paraguai estão mais unidas?
Barata -
Hoje, podemos dizer que a interação de ambas está maior. E Cidade do Leste e em todo território paraguaio existem excelentes bandas, que aos poucos vem ganhando espaço na cena Iguaçuense e até mesmo nacional, como é o caso do The Profane, a Extinta Overlord e o Kuazar, que já tocaram em diversas cidades do Brasil.


Hoje há uma disposição de um determinado número de pessoas para atravessar a fronteira e compartilhar laços de amizade e boa música. Os eventos do Paraguai estão bem mais estruturados que os eventos ocorridos do lado brasileiro. Talvez seja o fato de não haver tanta interrupção de parte de órgãos públicos, que aqui em nossa cidade barram eventos de médio porte porque um salão de alvenaria não tem hidrante, sem ao menos ter materiais que por ventura possam pegar fogo...

Megafone - Mas por que você acha que existe essa melhor organização do lado paraguaio. É só pelo poder público ou também é culpa da nova geração underground do Brasil que está abandonando o movimento? 
Barata -
Sim, com certeza este fato deve-se a estes dois fatores. No Paraguai o público é fiel e cultural, onde lutam pelo que acreditam e divulgam a música que escutam. Já no Brasil há esse desfalque. Me parece que tudo que as pessoas conhecem vem através da mídia, enchendo a cabeça da galera de coisas vindo lá de fora, a preços exorbitantes.


Ou seja, se tivéssemos mais incentivo de organizações públicas, poderíamos movimentar mais bandas nacionais e as bandas venderiam mais cd´s, pelo fato de terem mais divulgação, teriam mais shows e com certeza os valores de shows baixariam para os produtores, tornando isso uma realidade. A cultura através disso seria divulgada a todos nós, que lutamos por ela e ficaríamos contentes.

A Fundação Cultural de nossa cidade, por exemplo, não tem seu nome entre as bandas da cidade há anos, e não falo somente em bandas da cidade, mais também, de companhia de teatros, circo, etc.

Megafone -Mas voltando ao lance da integração. Sempre existiu, ou agora está muito mais forte com essa nova geração?
Barata -
Sim, sempre tivemos interação das bandas paraguaias e brasileiras. Vou citar alguns exemplos bem conhecidos por nós de bandas paraguaias: Funeral e Warseeds foram bandas que movimentaram muito a cena de Foz do Iguaçu há alguns anos, e Infernal (Curitiba) Hammerdow (Cascavel), Espiritual (Foz), entre diversas outras bandas com alguns anos na cena, já movimentaram também a cena em Assunção. Hoje a integração vem sendo entre Cidade do Leste e Foz do Iguaçu, onde varias bandas mostram seus trabalhos na cidade e no país vizinho.


Megafone -Então, Junior. Conta aí quais são seus projeto?
Barata -
Bom, projetos tenho muitos, o difícil é conseguir executá-los. No último final de semana fui obrigado a mudar a rota de vários deles, como no caso os próximos shows que estavam programados para a cidade nesses meses seguintes, em Foz, sendo todos eles transferidos para Cidade do Leste. Vários itens têm contribuído para essa mudança. Falta de incentivos públicos, falta de público e a grande seqüência de apresentações musicais ocorridas na cidade.


Megafone -Beleza. Tem mais alguma coisa que você queira falar que eu estou deixando passar em branco?
Barata -
Acredito que seja importante citar a contribuição de zines e webzines, dedicados a determinadas culturas. Cada meio tem seus contatos, que no meu caso é voltado mais ao heavy metal, porem é de grande valia, e quase sempre, não são feitos com intuitos financeiros.


Megafone -Em relação aos zines, como está esse tipo de expressão cultural em Foz?
Barata -
Em Foz, não tenho visto muita proliferação deste meio de comunicação. Temos o Foz Underground (Web Zine) que esta parado algum tempo, a Revista Cabeza de Vaca e a revista Escrita que saíram há algum tempo. Mas nunca mais foi visto alguma outra edição. Nosso amigo ‘Licho’ também trabalha com um zine xerocado, mais é outro artefato que não tenho visto circular há tempos. Ou seja, numa visão geral, está bem fraco o uso dessa expressão.


Megafone -Você como um organizador de eventos e shows da cultura alternativa pode nos passar os seus próximos eventos?
Barata -
Com certeza: Tenho já confirmado três eventos até o mês de julho e todos serão feitos em Cidade do Leste - Paraguai. Dia 27 de maio rola Imperious Malevolence, de Curitiba, juntamente com Open Scars, de Guarapuava, Scarlett, de Foz, e Preludium, de Cidade do Leste.


Dia 17 de junho tem Nervochaos (SP), Mesemon Ecrof (Mandaguaçu), Espiritual (Foz) e mais uma banda do Paraguai ainda não definida. Será a segunda edição do METAL ATTACK em Cidade do Leste. Festival esse já consagrado em Foz do Iguaçu. Dia 08 de julho tem Juggernaut (SC), e mais três bandas que estão sendo definidas nos próximos dias. Todos esses eventos serão realizados na AFEMOT em Cidade do Leste. O espaço está localizado a menos de dois quilômetros da Ponte Internacional da Amizade.

Megafone -Onde podem ser adquiridos os ingressos?
Barata -
Os três eventos serão realizados na AFEMOT (350 metros da sede da Prefeitura de Cidade do Leste). Os ingressos para o show do Imperious Melevolence podem ser adquiridos antecipados pelo valor de R$ 7,00, na Virtuose Escola de Música, Musicalize instrumentos Musicais, Casulo Rock Bar e com o Rafael da banda Scarlett, ou no Paraguai no Legends Tattoo Stúdio, nos programas da Radio 103,5 Symphony in Hell (sextas das 16 as 18 horas) e Espacio Mortal (domingos das 17 as 20 horas) e com o Pablo Sebastina, da banda Preludium.


(COLABORADOR – Welvis Leal Costa) Vejo underground num momento delicado - Barata (Junior de Oliveira)
 

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