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Vago, por Fabiane Colling
Qua, 01 de Setembro de 2010 15:19

 

* Fabiane Colling

E como nunca antes aqui, vi um vaga-lume da minha varanda. Ele bem tentou se esconder de mim, mas era noite. E como era impossível ele se esconder.


Tentou se disfarçar entre a fumaça do meu cigarro e me enganar na embriaguez do vinho tinto seco. Mas ainda não estou louca, talvez daqui alguns dias, ou daqui uma meia hora.

Me dá aqui. Me dá uma solução nessa varanda de ar seco. Nesse vento já quente que entra no quarto. Me dá uma solução antes que eu precise ligar a televisão e esquecer de vez de você, seu vaga-lume.

Deixei tudo escuro pra te ver. E você ali, no poste da frente. No mesmo poste de luz que não me deixa dormir direito. Me dá a solução ou desapareça de uma vez. Mas, se desaparecer, ah, se desaparecer, você não ouse voltar, seu vaga-lume. Não ouse mais voltar.

Desapareça nessa vaga luminosidade. E tomara que se perca, sem rumo, assim como me perco a mim - nessa minha pouca luminosidade. Não me deixe acender outro cigarro ou pegar mais uma dose desse veneno. Deixe-me desencostar a cadeira e voltar pra sala. Mas me dê a solução antes que eu ligue a tv. Ou antes que eu coloque uma música pra tocar. Não me deixe lembrar, não me deixe remoer. Não me faça voltar no tempo. Pois, naquele, eu via bem mais do que apenas você. Eu via sua família inteira. Não sei se era mais feliz. Mas era diferente.

Devo estar louca para desabafar com um vaga-lume. Mas você é tudo que tenho agora. É isso mesmo que você quer? Me deixar sozinha e eu ligar a tv? Então vá, mas pare de voltar.
O tempo anda passando depressa demais por minhas mãos.

* Fabiane Colling é jornalista em Foz do Iguaçu.

Vago, por Fabiane Colling
 

comentários  

 
0 #2 14-01-2011 14:27
E eu sempre seguindo...
Como sempre lhe dou os parabéns e peço que continue escrevendo para que eu possa continuar lendo e saboreando cada crônica e/ou qualquer coisa que saia dessa sua mente cheia de idéias fabulosas.
Nunca deixe as pessoas e o mundo com sede de ler!
Beijos.
Em pensar que um dia fui as tantas vírgulas entre seus tantos pontos finais. Quando vi, eu fui o ponto final do fim.
Se cuida capô.
Obs.: Tenho orgulho de você!
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0 #1 06-10-2010 12:23
Uou! Adorei a crônica. Dá até pra imaginar a situação "entre a fumaça do meu cigarro e me enganar na embriaguez do vinho tinto seco". Parabéns! :)
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