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Sex, 22 de Dezembro de 2000 18:11 |
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Categoricamente ela ajeitou a mexa de cabelos atrás da orelha esquerda. Inclinou a cabeça um pouco para a direita e me fitou bem nos olhos. Estava concentrada me ouvindo falar. Eu falava sobre o Tarantino. O Quentin Tarantino. Todo eufórico. Falando sem parar. Cães de Aluguel. Jack Brown. Kill Bill, o um e o dois. E ela ali, ainda concentrada e me sorrindo quando contava algo engraçado, alguma cena de algum dos filmes, a do Pulp Fiction, por exemplo, quando eles, e o próprio Tarantino, desta vez atuando, tem de limpar o carro todo ensangüentado. E ela continuava na mesma, cabecinha inclinada para a direita, fitando, e bem, os meus olhos e me sorrindo. Não falava um ai. – Grind House. Você viu que saiu? Filme novo dele. – Anrã. – Então, tenho que ver. É em parceria com o Robert Rodriguez, o mesmo do “Albergue”, saca? – Anrã. – Qual o filme que você mais gosta dele? – Nunca vi nenhum. Desgraçada. Achou que o Tarantino fosse quem? Filha da mãe. Cara de pau. Me olhando daquele jeito, tipo uma coruja. Apaixonada de merda. Nem pra me mandar calar a boca. Enfim, quebrei o silêncio e pontuei a conversa com um desgostoso “adoro o Tarantino!”.
* Robson Mattjie é acadêmico do 8º período de Jornalismo em Foz do Iguaçu e colaborador do MEGAFONE.
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