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Movimentos sociais discutem comunicação e contra-hegemonia
Ter, 29 de Novembro de 2011 18:15

MEGAFONE - Fernanda Regina
Foto - Cearánews

Os desafios para que a comunicação seja utilizada como meio de formação de massa foi a pauta central do 17º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) realizado no Rio de Janeiro, de 17 a 20 de novembro. A atividade contou com a presença jornalistas, militantes, sindicalistas e movimentos sociais de diversas cidades do Brasil.

Os organizadores deram o tom do curso já na abertura com o canto coletivo do Hino da Greve, criado em 1979, durante as grandes greves. O coro foi puxado pelo militante Cícero de Crato, natural de Cariri, interior do Ceará. Hoje Cícero atua na área de formação política, sindicatos e educação, em São Paulo.

No mesmo clima de emoção e luta, os professores Mauro Iasi (UFRJ), Virgínia Fontes (Fiocruz), Adelaide Gonçalves (UFCE) e militante Vito Giannotti apresentaram a história dos 140 anos da Comuna de Paris. Para Iasi a Comuna é cada vez mais atual e necessária conhecê-la. “A Comuna é atual porque seus carrascos estão vivos, preparados para manter a ordem atual”.

Teatro – Contribuiu ainda mais para a qualidade do debate, a encenação da peça Os Filhos da Comuna. A apresentação foi encabeçada pelo Grupo Artes da Ilha do Governador (GATIG - Núcleo Contra-Hegemônico). Um dos destaques da peça é o julgamento da grande figura feminina, a revolucionária Louise Michel.

Informação - “Precisamos que os órgãos de comunicação da esquerda se unam e que tenhamos um jornal diário como instrumento de formação de massa”, apontou o coordenador do NPC, Vito Giannotti. A provocação foi compartilhada pelos presentes que entenderam a necessidade de unir forças para fazer outra comunicação.

Os debates aconteceram de maneira livre e descontraída, apesar do respeito ao tempo e a grade recheada de atividades. Uma das polemicas foi gerada quando começou a discussão de qual seria a “melhor ferramenta para disputa da hegemonia”.

Desinformação - A realização de megaeventos como as Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 está gerando muito desinformação. A mídia conservadora esconde as mazelas e valoriza a especulação imobiliária, “a contra gosto da população e da periferia, apontou o jornalista e morador da Rocinha, Arley Macedo.

Cultura - Na noite de sábado (23) os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a realidade de uma favela “pacificada” no Rio de Janeiro. O convite partiu da organização evento e do rapper Fiell – um dos palestrantes - para subida ao morro Santa Marta, onde ele vive.

A temática favela também foi abordada nos de debates com a presença de moradores e militantes destas regiões. Os mesmos falaram da realidade em contraponto com o que é mostrado pelas grandes corporações midiáticas. O tratamento dos meios de comunicação a temas como homofobia, mulheres e racismo também foi discutido em mesa específica.

Estereótipos - Os palestrantes apontaram para estereótipos que ainda marcam a presença da mulher e a baixa participação de negros na mídia. Como também a falta de debate sobre a homossexualidade. A décima sétima edição do Curso do NPC é um toque todos que acreditam que é possível construir outra comunicação. Para chegar lá é preciso repensar determinadas formas de abordagem para disputar a hegemonia na comunicação.

Filme - Para encerrar o curso, os participantes assistiram ao filme Cidadão Boilesen. O documentário denuncia a participação da sociedade civil na preparação do Golpe de 1964 e a força dos empresários no financiamento das torturas e execuções de militantes e pessoas que se colocavam contrárias ao regime. Na seqüência iniciou um debate sobre a produção.

Boilesen era uma espécie de porta voz do empresariado. Amava tortura, sangue e sofrimento. O filme revela que muitos dos companheiros de Boilesen continuam vivos e impunes. O dinamarquês foi presidente do grupo Ultra e da Ultragaz. Ele foi assassinado em 1971 por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Clique aqui para assistir o trailler do filme Cidadão Boilesen.

Fernanda Regina - Megafone
@fernanda_rcunha

Movimentos sociais discutem comunicação e contra-hegemonia
 

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