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Pedro Lichtnow
Carroceiros da Arafoz estão indignados com a postura do poder público municipal. O grupo alega disparidade de tratamento na hora da coleta de material reciclável pelas ruas da cidade. O favorecimento seria focado para a cooperativa de recicladores ambientais, com atendimento na área central da cidade.
O lixo produzido pelas lojas da Avenida Brasil, por exemplo, estaria sendo retirado pelo caminhão contratado pela cooperativa do centro. Isso, no entanto, tem complicado ainda mais vida e a situação financeira de muitas famílias ligadas a Arafoz, que sobrevivem da atividade.
Como protesto, os carroceiros montaram um verdadeiro acampamento em frente à prefeitura, onde exigem uma conversa direta com o prefeito Paulo Mac Donald Ghisi. “Acho que cada catador precisa colocar um terno e dizer que é empresário para falar com prefeito”, ironizou Celso Santana Cruz, um dos coordenadores do movimento.
Os recicladores chegaram apenas a negociar com o alto coturno (termo emprestado) do gabinete do prefeito, através da mediação do ex-deputado Dilto Vitorassi, mas nunca diretamente com o “homem”.
Segundo acusação dos recicladores “autônomos”, os comerciantes se dizem impedidos de destinar o material para os agentes da entidade, pois estariam sujeitos a multas emitidas pela prefeitura. “Os fiscais da rua ameaçam multar os donos das lojas se cederem o material para nosso grupo”, disse Celso Santana Cruz, dirigente do movimento.
A Prefeitura, em contrapartida, joga a responsabilidade ao dito Termo de Ajuste de Conduta, assinado com o Ministério público. Pelo documento, cabe ao município justamente fiscalizar o cumprimento da legislação.
Assim, cada empresário, segundo noticiou a Gazeta do Iguaçu, na edição desta terça-feira, “precisa se ajustar ao programa de destinação correta do lixo elaborando e implantado o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. A lei define ainda que por meio desse processo, a destinação é feita para as organizações de catadores, sendo de livre escolha do comerciante a entidade beneficiada”.
Na prática, os comerciantes podem escolher para quem entregar os recicláveis. Como detestam, em sua maioria, o trânsito de carroças, principalmente pela Avenida Brasil, entregam o material ao caminhão da cooperativa central. Como os agentes da Arafoz não têm um caminhão para o transporte das mercadorias perdem o serviço. Além disso, extra-oficialmente, segundo a versão da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Foz, os carroceiros não teriam interesse imediato em criar uma cooperativa, pois “alegam a perda de renda, já que o lucro é dividido entre todos - os que vão para a rua e aqueles que trabalham dentro dos barracões de triagem”. Conta como despesas também a necessidade do desconto de INSS, que garante a aposentadoria e os custos com a compra dos EPI’s – equipamentos de segurança.
Os carroceiros da Arafoz querem a liberdade para trabalhar como antigamente. Os lojistas não querem as carroças. A Prefeitura diz que apenas cumpre a lei apoiada pelo Termo de Conduta assinado com o Ministério Público. Cada qual com a sua razão. O que interessa, no entanto, é agilizar o processo e formatar assembléias e reuniões com todas as partes envolvidas, a fim de desenhar uma solução imediata. No final das contas, a cidade precisa do serviço e muitas famílias precisam desta renda, curta, mas imprescindível, para sobreviverem do lixo alheio.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do MEGAFONE. A coluna Hora Extra é publicada todas as terças-feiras.
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