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A cidade que sonho gera empregos, oportunidades de trabalho, gera renda, gera frutos do labor do seu povo. Leia crônica de Pedro Lichtnow sobre uma cidade 'ideal'.
Pedro Lichtnow
A cidade que sonho gera empregos, oportunidades de trabalho, gera renda, gera frutos do labor do seu povo. A cidade onde imagino minha existência plena oferece chances aos jovens recém chegados ao mercado de trabalho, aos universitários saídos dos bancos acadêmicos, com a mente repleta de idéias, e muita vontade de vencer na vida.
Nela os estudantes formados não precisam mudar para outro lugar, porque sabem que na terra de origem deles há esperança, oportunidades, respeito e políticas públicas eficientes de incentivo. A cidade que desejo acordar todas as manhãs é tranqüila, apaziguada, segura e sensata. As pessoas que ali vivem se identificam com ela.
Desejam e trabalham para o seu melhor. Não querem simplesmente usurpar suas riquezas, explorar suas belezas ou sugar toda a sua energia vital para depois irem embora e investirem em outros lugares. Nesse meu sonho não existem corruptos, muito menos achacadores, políticos zombadores, arrogantes e prepotentes. Ninguém é deslumbrado, nem ostenta superioridade aos quatro ventos quando senta por instantes ao lado e sob o poder político e econômico.
Não existe fascismo, sociopatas e muito menos radicais ultrapassados pelo tempo e pelas idéias retrógradas e conservadoras. É um lugar bonito, limpo e muito bem urbanizado. Uma cidade pensada com planejamento criterioso preocupado com a qualidade de vida das pessoas e com os turistas que a visitam. Na minha cidade o turismo e os turistas são levados a sério, respeitados Nada de amadorismo e charlatanismo. O profissionalismo funciona e rege todo o segmento. Não existe ninguém levando vantagem em cima de ninguém. Todos pensam de forma conjunta e uniforme. Poderes público e privado parecem uma mesma máquina que impulsiona o setor, sem interesses escusos atrás de máscaras de piedade e de salvação.
A fome não tem vez na cidade dos meus sonhos. Não há miséria, falta de moradia, muito menos bolsões de pobreza ou favelas em estado crítico. O crime persiste, mas em índices baixíssimos. A polícia é bem equipada e treinada. Os policiais têm tino para lidar com o povo. Não agridem ninguém. Nada de pancadaria física ou moral.
Os bandidos não são audaciosos. Não desafiam a polícia, as autoridades, nem a inteligência das pessoas. Preferem trabalhar, pois emprego não falta em todas as áreas. Na minha cidade, o poder municipal é entrosado com a linha política do seu estado e do governo federal. Aproveita todas as parcerias, valoriza e aplica todos os recursos provenientes desses acordos benéficos à sociedade.
O prefeito de minha cidade é integro, gentil e cortês. Trata todos igualmente. Escuta a todos. Respeita o contraditório, a oposição e os adversários. Não compra ninguém, não suborna e não assedia moralmente quem o contraria. Ele tem sensibilidade para as causas do povo. Não usa instrumentos institucionais para angariar votos ou persuadir o pensamento coletivo. É um gentleman de bom senso. Não é sonhador. Tem os pés no chão e dá prioridade ao interesse do povo. Não é a favor do nepotismo, de cargos políticos em funções técnicas e de acordos à escura. Enfim, um homem de visão, simples e honesto. Nada ditador.
No meu sonho de cidade a imprensa é livre, independente, plural e tem classe, nos dois sentidos. Não se rebaixa a qualquer caraminguá. Não sofre pressões de políticos ou de cães de guarda de determinadas autoridades. Ela é engajada com os anseios da sociedade e não explora a morte alheia, desejando que a violência estoure para vender a manchete do dia seguinte. Os profissionais da imprensa são gabaritados, polidos e bem treinados. Recebem salários justos e têm respeitados os seus direitos perante a Constituição. Não precisam fazer o que o coração e a consciência não mandam.
Não precisam atender ordens imorais de seus patrões. Não ficam à mercê de um só veículo, pois o mercado evolui com investimentos dos empresários. Nenhum meio de comunicação vende-se, prostitui-se em troca de dinheiro, influência política e posição social. Não se corrompem porque os empresários têm pensamento livre e à frente do tempo. Conseguem entender a importância de uma imprensa transparente para o desenvolvimento e a educação da sociedade. Por isso, apóiam projetos, incentivam novas idéias e participam junto com a imprensa das principais discussões da cidade. Tudo porque sabem que a cidade não serve apenas os empresários, mas é o berço dos filhos, dos netos e das futuras gerações.
A minha cidade dos sonhos é bonita por natureza e abençoada por Deus. Sonho quase todas as noites com ela, mas acordo ainda com os olhos ofuscados pela ignorância, negligência, mesquinhez e arrogância que paira no ar. Sonho e acredito em dias melhores.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do Megafone.
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