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Leia crônica de Pedro Lichtnow sobre a violência na Vila Bom Jesus.
Pedro Lichtnow
Era madrugada de sábado, por volta das duas horas, quando escutei: --- Parado, parado, mãos na cabeça. Abaixei o volume da televisão e corri para a janela da sala. Policiais abordavam um suspeito. Em instantes, outras quatro viaturas chegaram à rua Espírito Santo.
Na cola, a equipe urubu de reportagem à procura de mortes e crimes. Enquanto interrogavam o suposto bandido, os policiais procuravam algo pelos terrenos baldios e pelas escuras ruas da Vila Bom Jesus.
Um dos agentes, aliás, fumava incessantemente enquanto outros colegas conversam com o suspeito. Talvez estivesse nervoso pela situação, ou apenas relaxando.
As viaturas circularam por um bom tempo pelas ruas do bairro, situado próximo à favela da Guarda Mirim. Alguma denúncia anônima provavelmente causou todo aquele transtorno.
Fiquei preocupado com o agito, apaguei as luzes da casa e corri para a janelinha do banheiro espiar a abordagem. Muita conversa com o suspeito que mantinha as mãos atrás da cabeça, iluminado pelos fechos de luz de uma pequena lanterna. O movimento continuava intenso com o trânsito de viaturas em uma busca vazia, sem sentido e superficial.
Nada achavam os policiais. As luzes das viaturas, de seus giroflex, clareavam minha rua escura e obscura, o bairro onde moro, que deveria sugerir paz e tranqüilidade. Em vez disso, mais uma noite turbulenta causada pela criminalidade insustentável de Foz do Iguaçu.
Terminada a abordagem, o rapaz parado pelos policiais foi liberado depois de todo o alvoroço e aquela operação. Ao despedir-se dos colegas policiais, o suspeito deixou essa: ---- Então é isso aí. Valeu piasada, estou limpo. Vou nessa.
Nada foi encontrado, o suspeito foi solto e a noite voltou à normalidade em mais uma madrugada de espetáculo da Vila Bom Jesus.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do Megafone.
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