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Veja relato do jornalista Pedro Lichtnow sobre a recente história do site Megafone.
Pedro Lichtnow
Hoje, dia sete de abril, uma terça-feira comum, o Megafone completa dois anos de vida. Nós, da equipe de redatores, consideramos uma data de extrema importância. Sobrevivemos a um período crucial para qualquer empresa. Pesquisas revelam índice de falência de pequenos e médios negócios superior a 80% antes de completarem dois anos. Portanto, certamente uma vitória pessoal e profissional. Megafone nasceu com uma proposta um pouco diferente aos demais veículos de comunicação da região em atividade naquele período. Apostamos em um jornalismo novo, horizontal, em que toda a comunidade, sem distinção, pudesse participar com colaborações dos mais variados gêneros.
Era o chamado Jornalismo Participativo, baseado na concepção da comunicação sem hierarquias, na qual leitores saboreiam a liberdade irrestrita de manifestar os pensamentos de diferentes formas por meio de textos, fotografias, gravuras, áudios e vídeos, sem a intervenção de um jornalista ou profissional de imprensa. Nós, jornalistas da equipe de redação, funcionamos apenas ou principalmente como organizadores e editores de conteúdo público, recebido diariamente de várias partes da cidade e de várias pessoas distintas.
No Megafone, ativistas culturais, líderes comunitários, profissionais liberais ou pessoas comuns viram suas idéias ecoarem, amplificadas em uma corrente de colaboradores e voluntários. Com o passar do tempo, em pouco tempo, criamos uma rede de colaboradores e de colunistas, desde profissionais da imprensa, professores universitários, economistas, engenheiros, psicólogos, entre outros participantes.
O projeto, no entanto, não se resumiu as colaborações externas. Criamos, em paralelo, um Jornal Mural, pouco ou quase nada explorado pelos órgãos de imprensa da região, com exceção de algumas empresas na área institucional. Resolvemos ousar e espalhar o “jornalão”, em formato de cartaz, por toda a cidade. Foram duas edições que abordaram um tema específico por vez. A primeira focou a história de pessoas que moram nos extremos da cidade, no chamado “fim de linha”. Minha nossa, que trabalho para encontrar essas personagens.
O segundo jornal mostrou gente que anda na corda bamba e usa a criatividade para fugir da crise financeira. Cada história ‘cabeluda’, como a mulher que garante uns extras catando piolhos nas cabeças de crianças ou mesmo de adultos, ou ainda o estranho rapaz que concerta coroas metálicas de túmulos para completar o orçamento. Foram tantas emoções e histórias para contar.
Não esqueço o árduo trabalho de colar os jornais pelos muros e pontos de ônibus da cidade em apenas duas pessoas, depois três de nós. Com certeza valeu pela experiência e pelo aprendizado. Tudo o que nos movia era a idéia fixa de democratizar de alguma forma o acesso a informação e a leitura em todos os lugares possíveis da cidade, valorizando a figura humana, as pessoas e os moradores de nossa querida Foz do Iguaçu. Era o jornalismo participativo e comunitário fundidos em sua pura essência.
Hoje, dia sete de abril, uma terça-feira comum, o site Megafone completa dois anos de estrada com objetivos bem definidos e delineados. Queremos ampliar nossa rede de colaboradores e voluntários, divulgar e amplificar o trabalho de instituições solidárias e assistenciais da cidade, firmar fortes e novas parcerias com entidades sérias, além de valorizar o cidadão, o ser humano e o iguaçuense, com notícias construtivas, de qualidade crítica, que retratem, mas também provoquem uma mudança de estado de espírito, de mentalidade, e de atitude com respeito às principais questões socioeconômicas envolvendo o município.
Para isso, novas e alentadas reportagens devem ser produzidas pela equipe de redatores, priorizando nossa gente, os movimentos sociais, comunitários e os sindicatos, que primem pelo respeito e pela coerência em suas ações. Esperamos também, de bom grado, apoio da classe empresarial e de entidades públicas, que sigam linha similar a fim de mantermos viva a proposta do Megafone e a idéia de uma comunicação democrática, comunitária e participativa, muito mais humana, e não viciada ao sistema da ditadura comercial. Enfim, contamos com o apoio de todos para seguirmos nesta empreitada na área da imprensa de Foz do Iguaçu e região da fronteira.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do Megafone.
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