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PM = nada !
Seg, 25 de Maio de 2009 00:00

Confira relato do jornalista Pedro Lichtnow sobre o "atencioso" atendimento prestado pela Polícia Militar em Foz do Iguaçu.

Pedro Lichtnow

- Nós temos aqui apenas dois policiais de plantão em cada um dos três turnos. Mas veja como são as coisas. Quando acontecem as blitizes pela cidade o comando requisita soldados de fora ou ainda nos paga hora extra para acompanhar e fiscalizar os veículos. Foi o que me disse ontem (domingo, 24), por volta das 19 horas, um agente do 14º Batalhão de Policia Militar de Foz do Iguaçu ao lhe questionar por que a PM não consegue atender muitas ocorrências de trânsito.

O afoito esclarecimento do policial, quase um desabafo involuntário com tom de vitimização, ocorreu uma hora depois de chegarmos ao quartel na tentativa de abrir um Boletim de Ocorrência (BO) referente ao acidente de trânsito que nos envolvemos. 

Antes disso, porém, outro agente havia recebido nosso pedido quase como uma súplica. O funcionário público, no entanto, acompanhado de um colega, precisou sair com certa urgência da sala para atender uma “solicitação externa”. Enquanto isso, permanecemos cerca de uma hora sozinhos na sala aguardando a volta do solicito policial. 

A visita indesejada ao batalhão aconteceu pelo seguinte fato: após o acidente entramos em contato com o número 190 requisitando a presença da PM para abertura de um BO. O policial, entretanto, argumentou que não poderia encaminhar uma equipe porque não havia registro de vítimas no local do acidente. 

Então o sistema da PM funciona assim: se há vítimas, dependendo ainda da disponibilidade dos muitos plantonistas, dois ao todo por turno, para uma cidade com mais de 300 mil habitantes, pode, quem sabe, ocorrer o apoio dos policiais para atender o caso e abrir um BO no local do acidente. Se não há vítimas, esqueça meu amigo, independente da gravidade da colisão, dos estragos dos veículos ou mesmo da postura dos motoristas envolvidos. 

O prestativo policial me explicou ainda que a PM não tem poder nenhum para defender ou apontar o provável responsável pelo acidente. “A polícia apenas relata o fato, quem julga é o juíz, quem decide é o juíz, quem manda é a Justiça”, disse. 

Em resumo, quando acontecer, tomará Deus que isso nunca se concretize, um acidente de trânsito com você, caro leitor, estarás à mercê da vontade e da disponibilidade da outra parte envolvida. Se o outro motorista decidir simplesmente sair do local e ir embora, terá todo o direito. Não precisará prestar nenhum esclarecimento, nem mesmo a polícia, que teoricamente seria a defensora dos direitos dos cidadãos de bem. Isso aconteceu em nosso caso. 

O motorista que colidiu com nosso veículo negou-se a seguir até o Batalhão da PM para abertura de Boletim de Ocorrência, não assumiu responsabilidade alguma e ainda nos acusou por imprudência. Analise a imprudência: precisamos reduzir a velocidade quando uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) desceu a outra pista. 

Ao reduzir a velocidade, ligamos o pisca - alerta e mesmo assim o carro que vinha atrás não conseguiu segurar o veículo, colidindo com a traseira do automóvel. “Viu o que dá você querer fazer a coisa certa e dar passagem a uma ambulância”, disse o motorista, nos acusando de irresponsabilidade. 

Repare a irresponsabilidade ao darmos passagem para uma ambulância. E segundo a explicação do colega policial, corremos ainda o risco de perder a causa, dependendo da interpretação do juíz e das argumentações do outro motorista. Como saída, recolhemos alguns dados pessoais do motorista opositor e informações do veículo, o que permitiu a possibilidade de abrirmos o BO, mesmo sem a presença dele. 

Para ressarcimos os prejuízos, segundo recomendação dos agentes da polícia, precisamos literalmente correr atrás da Justiça. “Vocês devem visitar a empresa onde trabalha o outro motorista, apresentar o BO e pedir que se responsabilizem pelos danos do acidente. Se não houver acordo, se dirijam à Justiça (Juizado de Pequenas Causas) e acionem o motorista e a empresa em que trabalha”, disse o atencioso PM. Mais um detalhe: para a retirada do documento precisamos ainda se deslocar ao Detran e pagar uma mera taxinha simbólica, correndo o risco de perder a causa diante do Juíz.  

Traduzindo: é por conta de vocês. A Polícia Militar não pode fazer nada, não tem equipe para cobrir as ocorrências na cidade, apenas para fiscalizar blitizes, o responsável pelo acidente pode ser inocentado e vocês responsabilizados mesmo com razão absoluta, e aguardem um posicionamento da Justiça, que pode demorar ou não. Enquanto isso, sem choro, nem reza. Sábias palavras do Titãs: “Polícia para quem precisa de polícia”. 

Pedro Lichtnow é jornalista e editor do site Megafone.

PM = nada !
 

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