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O Flamengo é uma nação, um estado, um município, um pequeno reduto. Leia artigo do jornalista e rubro-negro Pedro Lichtnow.
Pedro Lichtnow
Alguma coisa inexplicável ou mesmo anormal acontece com o Flamengo. Há 17 anos sem nenhum campeonato brasileiro, outros tantos anos sem sequer um título expressivo nacional e internacional e, mesmo assim, a nação cresce. É um fenômeno. O time de futebol ainda vive do século passado, da figura do grande Zico ou de outros medalhões. Os torcedores sonham com o passado glorioso e vislumbram um futuro incerto. Mesmo assim, fanáticos pelo “Mengão” nascem e crescem aos montes pelo país.
Dados do Datafolha mostram que 18% dos brasileiros são flamenguistas contra 10% de corinthianos, nossos mais próximos rivais. Mais impressionante ainda é pesquisa recente que revela expansão absurda do número de torcedores entre as crianças. Na faixa-etária infantil, até os 12 anos, esse índice aumenta expressivamente: sobe para 24%. É algo assustador, são milhões de flamenguistas que compõe uma nação fervorosa maior que muitos países mundo a fora.
Alguma explicação razoável deve existir. “O Flamengo tem uma ligação umbilical com o povo brasileiro. O time é a índole do nosso povo, que ressurge das cinzas na hora mais difícil e tira forças da alma para renascer”. Tal teoria me foi transmitida por Vinicius Nagem, flamenguista e coordenador da FLAPARANÁ, nesta terça-feira (26), durante a inauguração do quarto consulado da Embaixada da Nação Rubro-Negra no Paraná, Foz do Iguaçu. Os outros consulados atendem em Cascavel, Ponta Grossa e Paranaguá. A Embaixada prepara agora a instalação do quinto consulado em Maringá, região norte.
Para o idealizador Nagem, e certamente outros milhares de rubro-negros, o Flamengo não é um time é uma paixão. O vibrante torcedor ainda recordou uma frase histórica do escritor Nelson Rodrigues, eterno torcedor do tricolor das laranjeiras: “Todo mundo foi pelo menos um minuto flamenguista na vida”. A declaração pode ser entendida, sem sombra de dúvidas, como um amor enrustido do autor dramaturgo pelo Flamengo e a autoconfissão involuntária de Nelson Rodrigues. Que me perdoem os torcedores do Fluminense.
A noite de inauguração do consulado em Foz do Iguaçu foi uma grande festa. O evento contou com a presença ilustre de Raúl Plassmann, grande campeão mundial pelo Flamengo em 1981, na era Zico, Júnior, Adílio, Nunes etc e etc. Enfim, eram tantos e tão bons jogadores, sem querer desmerecer o atual elenco. Raúl, que hoje é comentarista de futebol da Rede Globo, se mostrou muito simpático e atencioso às dezenas de flamenguista que passaram pelo local. “Estou realmente surpreso com a quantidade de flamenguistas apaixonados que encontrei aqui. Por isso, acho importante, para não dizer fundamental, a presença de consulados do gênero em diferentes partes do país”, disse. 
E completou: “Acho que essas sedes, esses consulados são necessários para aproximar os torcedores de lugares distantes do Flamengo e fortalecer o clube de uma forma geral”, ressaltou Raúl, que me disse depois não se conformar ainda com a desclassificação do Flamengo para o Inter na Copa do Brasil. “Acho que era só segurar um pouco o jogo e que o Bruno tinha condições de pegar aquela cobrança de falta. Nosso time é bom e deveria estar agora disputando as semifinais do torneio”, declarou.
Pesquisa do IBOPE informou recentemente que do raio de extensão de Foz do Iguaçu a Cascavel existem cerca de 20 mil torcedores do Flamengo. No Paraná, a nação rubro-negra é formada por 750 mil pessoas. Só Curitiba, onde funciona a sede da FLAPARANÁ, concentram-se 50 mil malucos pelo Mengão. O Flamengo é o time com maior número de torcedores entre os clubes nacionais em municípios como União da Vitória. Na cidade, quase 30 mil flamenguistas compõem o grupo.
Em Foz do Iguaçu, com muitos migrantes do Rio Grande do Sul, o Flamengo divide a preferência principalmente com torcedores do Grêmio e do Internacional. “A instalação do consulado será uma forma de unir, condensar os grupos de flamenguistas espalhados pela cidade e ainda difundir o time na região”, explicou Beto Cunha, flamenguista e dono do restaurante Pizza Park – tradicional casa da cidade, escolhido como sede do consulado e reduto dos torcedores em Foz.
“Aqui os torcedores poderão assistir aos jogos, fazer as inscrições para participar do consulado e receber informações sobre o Flamengo, possíveis excursões e notícias de uma forma geral”, frisou. Segundo Beto, o consulado já planeja pelo menos duas excursões este ano para os jogos do Flamengo. As duas pelo campeonato brasileiro. Uma para o jogo contra o Coritiba, na capital paranaense, e outra viagem prevista para setembro, quando o Flamengo enfrenta o Corinthians, no Maracanã, em setembro.
O Flamengo é uma nação, um estado, um município, um pequeno reduto. É uma consciência expansionista e um estado de espírito, que une classes e credos diferentes, envolvidos numa única paixão: o time do coração.
Pedro Lichtnow é editor do Megafone e flamenguista de alma rubro-negra.
Consulado Foz do Iguaçu Pizza Park - Rua Almirante Barroso, 993 - Centro (esquina com Jorge Schimmelpfeng) - (45) 3523-3669
Diretores: Auder Machado Vieira Lisboa (45) 9976-1370
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Jacson Renzo Querubim (45) 9973-9920
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Juliano Caobianco (45) 9944-6373
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FLAPARANÁ –EMBAIXADA DA NAÇÃO RUBRONEGRA: Site oficial: http://www.flaparana.com/
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