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O jornalista Mino Carta analisou a relação da elite com Lula, no resumo da semana publicado pela Carta Capital. Apesar dos privilégios concedidos à elite - de industriais a banqueiros, o alto clero permanece insatisfeito com o desempenho do ex-metalúrgico, mesmo com lucros exorbitantes patrocinados por juros astronômicos e políticas favorecidas. Mas quem deveria condenar o governo são os pobres, segundo declaração do próprio presidente, reproduzida na revista: “Os pobres é que deveriam estar zangados, porque tiveram menos do que os ricos”. Lula não entende que o aspecto moral pesa. Não compreende a intolerância a um operário no comando de uma nação. Os privilégios, os favores e a pseudo-aproximação aos ricos do país de nada adiantam. Eles abominam a idéia de um ex-metalúrgico no poder, de um homem sem letras e alfabeto ínfimo dominar os sistemas financeiros e sociais. De um senhor vulgar, sem modos e passional, democratizar as ações governamentais em favor de um povo secularmente esquecido pela sanha da elite. Por mais que Lula insista em agradar o burgo, nunca terá sua benção. Em Foz do Iguaçu, parece acontecer o oposto, numa inversão de valores morais. A essência, contudo, permanece a mesma, apenas trocam as posições sociais. Acostumada com dinastias, com os militares e o coronelismo, o povo, a mídia, os senhores da lei e os detentores do poder econômico detestam a idéia de um intelectual, neoliberal, de um burguês sistemático liderar a política. Mesmo quem faz a redoma protetora intimamente não aceita seguir alguém letrado, que pertence às camadas superiores, e possuiu níveis respeitáveis de estudo. Existe um certo desconforto, desconfiança e desinteresse em obedecer tal comando. Isso porque, o povo, de uma forma geral – incluem-se todos os setores, inclusive a elite, – não está acostumado com padrões, rigor, sistemas coordenados ou políticas sisudas. Por décadas, valia-se o tapa nas costas, o empurra com a barriga, o puxadinho emendado e remendado, os sorrisos convenientes e o ‘tudo se dá um jeitinho’. E isso vale também para o clero que acompanha o atual mandatário. A imprensa vulgar e prostituta, que disfarça o apoio, mas que no fundo clama pela volta dos coronéis e pelas dinastias abastadas. Paira no ar a nostalgia do tempo dos jagunços do poder, das máfias onipotentes e dos senhores feudais. Sente-se o cheiro da saudade do improviso, da politicagem, do poder hierárquico, que passa no sangue, de pai para filho, e de resquícios de mediocridade política. E isso começa de dentro para fora, dos círculos do poder aos demais setores sociais, rápido como uma onda magnética que emana uma ideologia retrô. Virou um processo vicioso perigoso para o retrocesso político. (MEGAFONE – Pedro Lichtnow)
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