Vai chegar o tempo em que a política e os políticos serão habilitados profissionalmente. Não haverá mais espaço para politiqueiros ou improvisos. Os políticos serão especializados na arte da gestão pública e isso será o mínimo de exigência da sociedade. Será cada vez mais reduzido o espaço e o retorno social aos homens pretensos a mandatos públicos com o velho e tradicional comportamento do “tapinha nas costas”. Entretanto, essa responsabilidade para selecionar os representantes do povo deve começar na fonte do problema. É de mérito e dever dos partidos e legendas políticas estabelecerem critérios para a seleção de seus integrantes.
Não deve permitir-se, por exemplo, o ingresso de pessoas com processos ou condenações criminais em siglas partidárias. Isso antecipa até mesmo a lei do “Ficha Limpa”, pois impede o avanço político de pretendentes a cargos políticos e a ascensão de pessoas com problemas com a Justiça e histórico de vida duvidoso. Tal medida pode parecer arbitrária, porém resguarda e protege a própria população de personalidades criminosas que venham a destacar-se no universo político, postergando a questão da corrupção em meio à sociedade brasileira. Isso não significa discriminação ou cerceamento à liberdade de manifestação política, mas o cuidado e o zelo com a sociedade, com o dinheiro público e com a própria credibilidade da política.
Políticos devem ser administradores, homens preparados intelectualmente e socialmente responsáveis. Seria interessante que políticos apresentassem formação superior técnica e específica em política, gestão pública e legislação. Não que isso garanta a integridade, caráter e honestidade de homens públicos. Todavia, assegura o mínimo de critério e seleção para a escolha de pessoas preparadas para exercer funções públicas, que exijam alta responsabilidade e consciência social. Não podemos, no entanto, medir a necessidade de qualificação de um político pelo presidente.
Lula é uma exceção, um homem com uma inteligência perspicaz, herdada de militância política e sindical, com o poder de comunicação na mesma frequência da população. Ele é a exceção e não podemos ampararmos em exceções, mas em matrizes e bases sólidas. Por isso, os políticos precisam qualificar-se, estarem preparados verdadeiramente para cargos tão importantes para o desenvolvimento da sociedade. Nada de “Tiriricas” e banalidades do gênero engendrando o cenário público. A política, em contrapartida, precisa profissionalizar-se. Ser levada a sério, acompanhada de forma consciente pela sociedade, pois o destino de uma nação passa necessariamente pela sua interalidade.
Pedro Lichtnow é editor do site Megafone e assessor de imprensa do deputado federal Wilson Picler, em Curitiba.
Crédito foto: Câmara dos Deputados
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