|
Em dez anos, a cidade atípica e mundialmente conhecida pelas Cataratas do Iguaçu e pelo fascínio das belezas naturais, perdeu em crescimento de população proporcional para municípios ‘nanicos’ da Região Oeste, como Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Medianeira. Em vez de avançar, Foz do Iguaçu recrudesceu.
O município de Cascavel, de mesmo patamar e também situado na Região Oeste, superou a terra de “Naipi e Tarobá”. Na mesma área geográfica, Toledo, conhecida pela força da agroindústria, suplanta Foz. No norte, Maringá e Londrina, cumprem o dever e excedem a cidade da muamba e dos peregrinos “laranjas” oriundos de distintas partes do País. Todos, sem exceção, apresentaram maior índice populacional no comparativo de proporcionalidade. O Paraná, de um modo geral, cresceu nesse decênio no que se refere ao contingente de pessoas. O Brasil acresceu alguns milhões.
As estatísticas do censo 2010 divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam esse panorama. Vamos aos números: Foz do Iguaçu tem menos habitantes. Em 2000, a cidade comportava 258.543 moradores. Uma década depois a população encolheu para 250.918 pessoas.
A eterna rival e ‘onipotente’ Cascavel mostrou avanço nesse quesito. Passou de 245.369, no ano 2000, para 283.183 nos dez anos subseqüentes. Toledo aventou: em 2000, possuía 98.2000 cidadãos; uma década à frente já conta com 119.002 habitantes. Maringá e Londrina também apresentaram acréscimo. Maringá saiu de 288.543 para 349.860 habitantes. Já Londrina majorou ao transitar de 447.065 moradores para 493.358 pessoas.
Mesmo os apoucados municípios de Santa Terezinha, São Miguel do Iguaçu e Medianeira demonstraram crescimento populacional nesses anos. Santa Terezinha subiu de pouco mais de 18 mil para 20.744 habitantes; São Miguel, de 24.432 para 25.602; e Medianeira, de 37.827 a 41.659.
Curitiba segue na projeção ininterrupta de crescimento dos últimos anos, passando de 1.587.315 para 1.678.965 habitantes. O Paraná tem agora 10.266.737 ante 9.563.458 de pessoas, dez anos atrás. O Brasil cresceu significativamente deixando a casa dos 170 milhões de habitantes para atingir 185.712.713.
Talvez esses dados não representem nada para Foz do Iguaçu. O êxodo populacional, quem sabe, remete ao aperto da Receita Federal aos atravessadores de mercadorias importadas pela Ponte Internacional da Amizade, que pressionados, tenham decidido mudar para outras paragens. Uma tese bastante propagada em meio a qualquer pessoa que viva em Foz é a de que muitos ‘laranjas’ migraram para o município de Guaíra, no oeste do Paraná, que também faz fronteira com o Paraguai, na tentativa sumária de buscar alternativas geográficas para transportar os produtos do Paraguai, sem muito fugir ao raio de ação da muamba e da pirataria.
Acontece que Guaíra não apresentou um superávit populacional complacente e proporcional à demanda de pessoas que abandoram Foz do Iguaçu. A antiga cidade das Sete Quedas, patrimônio natural engolido pelas águas do Lago de Itaipu, teve uma pequena ascensão em termos de habitantes, subindo de 28.659 para 30.321 pessoas, mas nada muito significativo ou considerado suficiente e comparativo ao número de pessoas que desistiram de Foz.
Vale destacar que a maioria ou grande parte dos sacoleiros e ‘laranjas’ aporta em Foz de outras cidades de maneira transitória. Ou seja, não residem no município fixamente, e por isso, não poderiam contabilizar os números do censo do IBGE.
Portanto, alguma coisa aconteceu nessa última década para as pessoas mudarem da cidade, planejarem a vida em outro lugar e simplesmente não olharem para trás ao partirem para um novo destino, talvez mais profícuo.
Vejamos as possibilidades e suposições:
- A criminalidade e o avanço da drogadição exterminaram a vida e o futuro de muitos jovens;
- Falta de políticas públicas específicas para geração de empregos e atração de indústrias, limitando as possibilidades de renda das pessoas
- Corrupção no meio governamental, promovendo o desvio de verbas e a conseqüente falta de investimentos em infraestrutura na cidade
- Desmando ao turismo e falta de incentivos nesse importante setor
- Aperto da Receita Federal ao contrabando e descaminho de mercadorias.
Todas essas hipóteses parecem fundamentadas à realidade da população, que sofre pela falta de políticas públicas de infraestrutura, sem emprego e renda, com o arrocho ao transporte de mercadorias importadas e o avanço eminente da criminalidade, que impõe, cada vez mais, temor às pessoas (...) parecem fatores suficientes para empurrar alguém para fora do município. Contudo, alguns dados talvez atestem esses argumentos, sobretudo no que diz respeito à economia.
Números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, mostram a falta de uma efetiva e proficiente política de geração de empregos formais, mantendo índices praticamente estagnados, ou melhor, quase insignificantes para um município de imenso potencial turístico e geográfico, cujas qualidades foram ressaltadas acima, de uma maneira, digamos, exacerbadas, mas necessária para pautar e detalhar a capacidade de Foz do Iguaçu, desconhecida por muita gente ou velada pelos interesses particulares e obscuros de gente egocêntrica e gananciosa.
Exemplificando: Dados recentes mostram que existem 45.551 empregos formais em Foz. No período de janeiro a setembro desse ano, houve 18.739 admissões e outros 15.602 desligamentos profissionais, totalizando um saldo de 3.137 empregos gerados, numa variação relativa de 7,55%. Ao todo, o município conta com 11.741 estabelecimentos.
Cascavel, cidade com população relativamente parecida, 71.611 pessoas ocupam vagas formais no mercado de trabalho. No mesmo período calculado, ocorreram 42.624 admissões, menos 37.087 demissões. O saldo chegou a 5.537 empregos e uma variação relativa de 7.73%. Os índices são parecidos, exceto pelo aspecto de que Cascavel tem mais de 20 mil empregos formais com carteira assinada, registro profissional e todas as benesses.
Londrina e Maringá, com populações superiores a Foz, apresentam números similares. Londrina tem quase 130 mil empregos formais, gerando, de janeiro a setembro deste ano, uma movimentação de 74.967 admissões contra 64.309 mil desligamentos. A variação é a mais alta com 8,2% de saldo positivo. Já Maringá admitiu 61.541 pessoas e demitiu 53.684, numa variação absoluta de 7.857 empregos, numa variação relativa de 6, 82%.
O fato é que os potencias de Foz do Iguaçu superam todas essas cidades em razão das próprias peculiaridades do município reconhecidas em todo o mundo. É inadmissível uma cidade como Foz abstrair-se de um desenvolvimento econômico, social e turístico, praticamente impondo a saída das pessoas por falta de oportunidades, falta de emprego e renda e falta de segurança. Foz do Iguaçu é grande, onipotente e a síntese de um Brasil que encanta e serve de exemplo para mundo pela convivência harmoniosa entre os diferentes povos, o universalismo com a inexistência prática de fronteiras territoriais e a grande concentração de belezas naturais exuberantes e simbólicas ao que representa a imagem e semelhança do Brasil no planeta. Sim, Foz pode!
Pedro Lichtnow é jornalista, assessor parlamentar e editor do site Megafone. (Imagem IBGE)
|
comentários
Sugiro que você analise o crescimento na última década do número de domicílios, ligações de energia elétrica, água e esgoto, telefones, além do número de eleitores, alvarás de construção, empresas, e MUITAS outras coisas que PROVAM que Foz do Iguaçu cresceu SIM, e podem derrubar qualquer teoria de que houve um declínio populacional.
Assine o RSS dos comentários