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* Pedro Lichtnow
Não! Todo esse dinheiro deveria, sim, ser aplicado muito tempo antes em obras de infraestrutura de prevenção aos desastres naturais. Acontece que o dinheiro será de grande valia para resolver momentaneamente a situação das vítimas da tragédia, ao restabelecer serviços essenciais, contudo, não solucionará de forma permanente o problema.
O recurso vai aliviar a dor, mas não suprimirá a doença social da ocupação irregular de áreas inabitáveis. Com as mudanças climáticas em todo o planeta, desastres e tragédias dessa natureza devem, infelizmente, repetir-se com certa frequência.
Como o governo federal, estados e municípios não tomam verdadeiras atitudes para resolver o problema, mais e mais dinheiro, será utilizado quando ocorrerem episódios semelhantes. Mais e Mais Medidas Provisórias serão analisadas para liberar recursos emergências.
Quem paga a conta, afinal de contas, são os cidadãos brasileiros, que já contribuem substancialmente com o pagamento de impostos e tributos de todos os gêneros.
É lamentável prever a repetição de tragédias como a do Rio de Janeiro. Mais lamentável ainda é saber que o governo novamente vai alardear a liberação de recursos emergências sem, de verdade, solucionar o problema da urbanização irregular de morros e favelas.
Chega de populismo, de ocultar a questão em troca dos votos de eleitores que moram nesses lugares e de injetar dinheiro público a roto, quando o desastre já vitimara os brasileiros. É preciso consciência das autoridades e sensibilidade para implantar um verdadeiro programa de reurbanização, de prevenção às catástrofes dessa ordem e uma política mais humana, no sentido literal da palavra.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do site Megafone.
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