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Pedro Lichtnow
Será que o documento com princípios editoriais das Organizações Globo contém as técnicas de manipulações de entrevistas políticas, edição de debates presidenciais para favorecer determinados candidatos ou os métodos adequados para produção de matérias comerciais pagas, tendenciosas a restritas corporações empresariais ou grupos econômicos internacionais?
Essa carta de conduta apresenta ainda a fórmula para fincar-se no poder eternamente, independente dos princípios éticos e legais, mesmo ferindo e relegando a democracia e a própria Constituição Federal? Nesse ponto da história, não há de se esquecer do nebuloso período quando a emissora, ainda em ascensão, aproveitou-se de todo o leite proteico e nutriente das tetas da Ditadura Militar brasileira.
O documento das Organizações Globo propõe reflexão quanto à conduta dos profissionais, descreve as normas, condutas e princípios editoriais em todos os veículos pertencentes ao grupo, em TV, jornal, revista, rádio ou internet. Tanto os veículos de comunicação, quanto os profissionais devem seguir o documento, sugere a carta.
Convoco, entretanto, estes mesmos profissionais e os veículos deste temido grupo empresarial a refletirem. Mas uma reflexão sobre a história, o passado, o modelo proposto e os interesses políticos das organizações, que ultrapassam e extrapolam qualquer código ético ou moral, quando há resultados financeiros no horizonte comercial.
Dividido, basicamente, em três seções:: I) Os atributos da informação de qualidade; II) Como o jornalista deve proceder diante das fontes, do público, dos colegas e do veículo para o qual trabalha; III) Os valores cuja defesa é um imperativo ao jornalismo, o documento ‘global’ não traz nada de novo e de inovador ante o que determinam o próprio Código de Ética do Jornalista, os inúmeros manuais de redação ou mesmo a Constituição Federal. Oras, a informação de qualidade, o zelo pelas fontes e público ou a defesa de valores, são princípios propagados há muito entre os profissionais, os meios de comunicação ou a Constituição.
Que me desculpem os milhares de “Bonners” espalhados pelo país, com o sonho latente e eufórico de comandar a apresentação do JN, ou os repórteres de vídeo, sedentos para emplacar uma matéria nacional, mas nesse código de “ética” e de “princípios”, eu não abarco.
A Globo quer, mais uma vez, determinar os padrões públicos e sociais. Desta vez, o alvo é o jornalismo. Inclusive, em seu documento desnorteador, pretende, audaciosamente, definir o que seria o jornalismo: "Jornalismo é o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princípios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas”. “O jornalismo produz o primeiro conhecimento sobre pessoas”, reforça-se essa parte. Quanta prepotência! Quem produz o primeiro conhecimento são as pessoas e não o jornalismo, que apenas reporta ou narra esses episódios.
Os padrões do jornalismo, da profissão do jornalista ou dos meios de comunicação existem há tempos. Não será a Globo e suas Organizações comerciais quem determinarão qual o modelo e o parâmetro a seguir-se por esta árdua profissão e de grande responsabilidade. Sejamos independentes, contra os estereótipos e esse estabelecimento de regras pasteurizadas!
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do site Megafone. Dúvidas, críticas e sugestões devem ser endereçadas ao e-mail:
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. No Twitter: @pedrolich
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comentários
Como fica o verdadeiro CODIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA? É mais uma brincadeira sobre algo sério da 'platina' famosa.
Faltou um link para o tal documento. Vou procurar.
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