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O Brasil continua um país preconceituoso contra os negros. E esse conceito formado não mostra-se velado, como dissipam estudiosos, pesquisadores e sociólogos. A constatação se baseia em dados recentes, atuais, divulgados hoje (17) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Leia opinião do jornalista Pedro Lichtnow.
O estudo mostra que os negros - parcela da população que inclui pretos e pardos – recebem por hora, em média, 60,4% do pago às demais camadas populacionais. Em valores, isso significa que um negro ganha, em média, R$ 5,81 por hora trabalhada, contra R$ 9,62 pagos a outros trabalhadores. Segundo a pesquisa, a razão essencial da desigualdade diz respeito ao fato de que a inserção dos negros no mercado de trabalho ocorre principalmente nas ocupações menos especializadas e pior remuneradas. Em 2010, por exemplo, 10,8% da população negra economicamente ativa trabalhavam como empregados domésticos. Entre a população que se declara branca e amarela, essa proporção é 5,7%. O problema remete ao passado, quando os negros foram ‘libertados’, sem planejamento algum, e ao presente, ainda sustentado pela falta de políticas públicas específicas para essa camada da população. Enfim, o Brasil precisa correr contra o tempo e se redimir com os negros.
Pedro Lichtnow é jornalista e editor do site de jornalismo participativo Megafone.
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