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A euforia do shopping dos sonhos
Ter, 13 de Novembro de 2007 00:00

Pedro Lichtnow

Passada a euforia inicial com o funcionamento do primeiro Shopping Center em Foz do Iguaçu, já é possível formular uma breve análise do caso. Inicialmente, os empresários e lojistas do centro da cidade demonstraram preocupação e um certo receio com a abertura do empreendimento.

Por outro lado, avaliaram positivamente a instalação da unidade em Foz pelo fato do município oferecer uma nova e importante opção de compras, entretenimento, cultura e gastronomia. Além disso, o espaço tornou-se, em pouco tempo, um ponto de referência aos turistas que buscam serviços teoricamente de qualidade.

O receio da classe de lojistas ocorreu pela impressão nítida de que o shopping roubaria clientes acostumados a freqüentar os estabelecimentos da região central. Na prática, afirmam os empresários da região central, isso não tem acontecido. A fiel e antiga clientela permanece a visitar os estabelecimentos e consumir os produtos.

Isso revela alguns pontos bem evidentes. Os consumidores mostram racionalidade na hora de investir e aplicar o suado dinheirinho. Talvez pela questão dos preços oferecidos pelas lojas do JL serem mais elevados aos valores sugeridos pelo comércio do centro. Ou ainda devido aos produtos atingirem classes com nível econômico superior aos padrões financeiros dos iguaçuenses, num contexto geral.

O grande número de pessoas que circulam diariamente pelos corredores do shopping seria, então, voltado para uma espécie visita contemplativa, apenas um reflexo da falta de atrativos de cultura e lazer na cidade.

Percebe-se ainda que a ‘multidão’ de gente que passeia pelas diversas alas apenas ou quase sempre observa vitrines, admira as instalações modernas e luxuosas, mas pouco consome. Pelo menos, aparentemente.

Nota-se que quase não há pessoas com sacolas de compras pelas mãos, somente sorrisos de satisfação e olhares vidrados pela diversidade de opções e pela beleza do ambiente. Desde a abertura, a praça de alimentação segue como o ambiente com maior público.

Certamente, é um dos ambientes mais acessíveis e populares, cujos valores dos produtos alimentícios, apesar de altos, em comparação aos custos de estabelecimentos gastronômicos do centro da cidade, parecem mais em conta e em consonância ao bolso dos iguaçuenses.

O caminho parece perigoso tanto para os administradores e comerciantes, quanto para a população. O alto investimento pode demorar um longo tempo para ser recuperado pela empresa responsável pela construção do prédio, caso seja avaliada o consumo interno das lojas pela população de Foz.

Existe, assim, sem uma análise pessimista, mas real do cenário, de que haja um certo desestímulo dos consumidores iguaçuenses com o passar do tempo, quando a novidade deixar de ser novidade e virar algo banal e corriqueiro. Segue uma tendência para a seleção natural da clientela do shopping, em que as classes média e alta, permanecem fiéis ao reduto de compras, mesmo racionais na hora “H” de injetarem grana. Nada mais, nada menos do que o capitalismo e o restabelecimento da sua ordem.

Hoje, um grande público transita todos os dias pelo local. Na verdade, quantidade, não significa qualidade, numa análise de potenciais clientes. Muitos jovens, de diferentes regiões da cidade, apenas passeia, no máximo arrisca algum quitute na praça de alimentos ou mesmo cineminha. Por enquanto, como os paulistas, o shopping virou a praia dos iguaçuenses.

Deseja-se que o empreendimento obtenha sucesso, mas o sucesso real e concreto. Não apenas algo empírico, onde aparências superficiais mostram uma falsa impressão da realidade. Uma das alternativas seria, muito provável, direcionar campanhas para atrair turistas e sedimentar a clientela.

Pedro Lichtnow é jornalista e editor do MEGAFONE.

Críticas, sugestões, dúvidas ou mais informações podem ser endereçadas ao e-mail pessoal do autor: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

A euforia do shopping dos sonhos
 

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