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* Pedro Lichtnow
Aprender o trabalho de ornamentação de mesas e travessas para buffet e dominar a técnica da matemática financeira com utilização da calculadora HP 12 C. Qual seria a relação destes ofícios tão diferentes? Na prática, nenhuma atividade tem similaridades.
As técnicas, no entanto, compõe a diversidade de cursos técnicos e de qualificação profissional oferecidos em Foz do Iguaçu. O pacote inclui aprendizado em inúmeras áreas de estudo. A escolha dos cursos atende principalmente à realidade socioeconômica do município, com a maior demanda de interesse quase sempre voltada ao turismo e a saúde.
Tais treinamentos refletem dois quadros, se feita uma análise superficial, sem dados científicos. Primeiro: o turismo permanece como a mola propulsora da economia. Por isso, a demanda contínua por cursos na área. Na outra ponta, o déficit de profissionais qualificados para a prestação de serviços de saúde na cidade atrai novos alunos.
Quatro entidades servem de referência em Foz para a oferta de cursos e a absorção de estudantes: Senac, Senai, Sesc e Provopar. As instituições dispõem de vagas para cursos pagos e gratuitos.
Os pagos cobram mensalidades bem abaixo das empresas particulares do ramo. Os custos variam em 40% a 60% menores aos preços exigidos pelo mercado. Se enquadram nesse perfil Senac, Senai, Sesc. Mesmo as três entidades garantem eventualmente cursos gratuitos à comunidade, bastando o interessando associar-se ao quadro.
Instalado há poucos meses em Foz, o Sesc (Serviço Social do Comércio) mantém uma série de cursos qualificativos. Na verdade, as aulas não se resumem apenas à especificação técnicas. Elas primam também pela sociabilização de grupos ao promover aulas de dança, música e teatro. É uma maneira de integrar pessoas de esferas sociais e culturas diferentes. Além deste processo, o Sesc mantém turmas de idiomas, informática, artesanato e de saúde.
O Senac oferece o maior número e variedade de cursos na cidade. Eles também são organizados de forma gratuita ou pagos. Os treinamentos atendem pessoas de idade e de nível de escolaridade distintos. Mesmo quem tem o mínimo de estudo, no caso a 4ª série do ensino fundamental, tem chances de participar de alguma turma.
A variedade de opções é grande. No programa estabelecido para 2008, serão abertas 393 vagas em 17 cursos de capacitação e aperfeiçoamento profissional.
A maior demanda continua pela área de turismo. O interesse pelo setor da saúde permanece também em constantes progressão. “O curso de qualificação profissional de nível médio em guia de turismo excursão regional mantém novamente a maior procura dos iguaçuenses”, confirmou Joelma Correa Simão, técnica do Senac.
Joelma disse ainda que a projeção de preenchimento das vagas ofertadas deve permanecer na mesma média dos anos anteriores, algo em torno de 70%. “No caso do Senac, a demanda sempre é grande pelos cursos atenderem o interesse da comunidade”, disse.
Segundo ela, os treinamentos são escolhidos basicamente por dois fatores. Primeiro porque seguem a grade estadual e nacional do restante dos municípios que mantém cursos de qualificação e pelo fato de atendem as solicitações dos moradores feitas por telefone ou mesmo por e-mail.
Nessa mesma linha, o Senai tem garantido a qualificação técnica de muitos iguaçuenses. São poucos cursos, mas bastante requisitados por atenderem uma área que aparece em crescimento no mercado regional. Para o ano que vem, serão formadas pela entidade duas novas turmas de Auxiliar Administrativo e de Produção Industrial e de Eletromecânica Industrial.
Aspirantes a empresas de eletricidade geralmente mostram interesses pelos treinamentos que capacitam profissionais para trabalhar nas áreas de metal-mecânica e eletrotécnica, em nível de Aprendizagem Industrial, com o intuito de fortalecer a indústria local ao atender a demanda de mercado.
Das quatro entidades principais que qualificam mão-de-obra, o Provopar é o único que oferece somente cursos gratuitos. Eles atendem principalmente a população de baixa renda em busca de um ofício que lhe garanta uma renda extra ao final do mês. O público absorvido pelo programa é formado quase todo por mulheres, principalmente donas-de-casa, ou adolescentes à procura do primeiro emprego.
Para capacitar o povo, a entidade passou por um processo de reestruturação física e conceitual nos últimos dois anos. A entidade mudou de sede e passou por uma reforma completa. Além disso, deixou de ser, como era conhecida pela maioria, como uma instituição unicamente assistencial, para tornar-se de cunho qualificativo.
Os cursos são oferecidos em áreas de interesse social na própria sede ou através dos chamados ônibus-escola, que chegam aos bairros mais importantes da cidade oferecendo capacitação à comunidade. Atualmente, o Provopar organiza os cursos de gastronomia, costura industrial, lingerie, cabeleireiro, manicuro, inglês e espanhol, confeitaria e panificação. Em média, a cada três meses o programa forma mais de 800 pessoas em diversas funções.
* Pedro Lichtnow é jornalista e editor do MEGAFONE. A coluna Hora Extra é publicada todas as terças-feiras.
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