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Qui, 22 de Dezembro de 2011 13:52 |
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Giovane Lozano
São 5:45 da manhã o despertador toca Pelas frestas da madeira sinto o vento passar Chaleira no fogo, lavo a cara para mais um dia começar Mesa pronta, café eu vou tomar Pão com margarina eu vou comer pra sustentar Não posso me atrasar, eu preciso é trabalhar.
O ônibus no ponto eu vou pegar, mais meia hora eu posso descansar É tanta gente não consigo nem mais respirar Patrão está na espera de quem não chegar Bater o ponto sem pestanejar Começo a trabalhar Faço parte da máquina nem sei mais por onde começar.
Meio dia o sinal toca é hora de parar Abro a marmita dá até desgosto de olhar Como com vontade e sem me deliciar Nem vejo a hora passar Sinal toca de novo, mais 6 horas de pavor No rosto sempre um olhar de horror.
Sigo sem saber ainda quem eu sou Não posso parar o patrão ta olhando Mais um braço da máquina que sou Devo continuar o dia não pode parar Está chegando o fim falta pouco Mais uma vez a sirene toca agora acabou.
A noite cai, a minha casa está lá Telhado frágil, vigas fracas, chão gelado Geladeira falta o que comer Durmo com fome e não sei o por quê Trabalho pra quem? Trabalho pra quê?
Giovane Lozano e historiador em Foz do Iguaçu. Poesia publicada originalmente no blog Fronteira Zero.
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