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Apesar de tudo ensinando a pescar
Sex, 06 de Janeiro de 2012 12:04

Eliana Louise Tao

Não sou uma pessoa que dispõe de muito tempo livre, mas procuro organizar minha agenda para abrir um espaço para outras atividades. Como tenho muito medo do meu cérebro enferrujar, ainda que não intencionalmente, passatempos instrutivos, relaxantes ou algum que tenha os dois efeitos magnetizam minha atenção.

 Talvez seja meu método na busca pessoal e infinita pela qualidade de vida. Aliás, este é um tema cada vez mais estudado, comentado e fonte de conteúdos dos mais diversificados. Mas para você o que isso significa?

 Pessoas já responderam em entrevistas para programas de televisão que para elas ter qualidade de vida é poder freqüentar clínicas de estética e relaxamento com regularidade. Outras disseram que é poder acompanhar os lançamentos tecnológicos, pois isso traz um ganho de tempo no desempenho de diversas atividades do cotidiano. É a opinião de cada um sobre um assunto tão amplo. E por mais estranho que possa parecer, temos que respeitar.

 Em uma sociedade com transformações aceleradas e que nos oferece a oportunidade de rever conceitos em um espaço de tempo cada vez menor, o significado e foco de atuação das chamadas clínicas têm se ampliado surpreendentemente e se revelado um forte aliado das pessoas para (re) encontrarem sua qualidade de vida.

 Tanto é que na cidade de Berna, capital da Suíça existe uma clínica que trata dos efeitos causados pelo excesso de informação em tempos multimidiáticos através de uma exposição interativa. Mas independente do nível de estresse do visitante e da técnica de relaxamento adotada, uma coisa é certa: nada de celular, notebook, tablet ou qualquer equipamento queridinho dos viciados em tecnologia.

 Se olharmos para nós mesmos, para o nosso passado recente, chegaremos à conclusão de que estamos cada vez mais “ligados”. Foi-se o tempo de que o telefone celular era apenas para fazer e receber chamadas em qualquer lugar, ao passo que o computador era um equipamento de uso apenas no ambiente de trabalho.

 Isso se deve ao fato das tecnologias de produção dos equipamentos eletrônicos terem se sofisticado e barateado, ao aumento da concorrência entre os fabricantes na conquista por novos mercados ao redor do mundo.

 Todos estes aspectos são positivos e apesar do gradativo aumento do poder aquisitivo da população brasileira (seja apoiado nos programas sociais do governo ou por fortalecimento da economia e maiores oportunidades de trabalho no mercado formal), nem tudo são flores, pois o preço da internet banda larga não acompanha o barateamento dos equipamentos de informática, o que faz o serviço ainda parecer um artigo de luxo que uma minoria da população brasileira tem condições de adquirir: o preço ainda é extremamente caro e mesmo em tempos atuais é o dobro do valor pago nos Estados Unidos, sendo que por aqui a qualidade da conexão muitas vezes nem é o que as empresas anunciam.

 Tal constatação é desanimadora, mas não tira o brilho e a fascinação causada por uma ferramenta tecnológica que a cada dia que passa se mostra

impressionantemente versátil.

Quando utilizada para o bem e com bom senso, seus benefícios são inegáveis. Dar espaço às menores e mais longínquas cidades do globo, em pé de igualdade com as maiores e mais próximas e conhecidas, (re) conectar pessoas, possibilitar a expressão das mais diversas ideias e fonte inesgotável de conhecimento sob os mais variados temas são apenas alguns dos aspectos positivos mais lembrados pelas pessoas em relação à rede mundial.

Pode-se dizer que a internet é um grande emaranhado de ruas virtuais. Nela podemos encontrar de tudo: até dicas de etiqueta empresarial, informação valiosa principalmente para quem acompanha freqüentemente comitivas internacionais em visitas técnicas na Tríplice Fronteira, região de altíssima diversidade. Porém, como nas ruas do mundo real, a internet também dispõe de coisas ruins: a escolha é de cada um que a acessa e a utiliza.

Mas ao que tudo indica, existe uma forma de tornar a internet acessível à grande massa brasileira. Este ano o governo federal e as empresas de telecomunicações fecharam um acordo para baratear o serviço de banda larga que no modelo popular terá conexão de um mega por segundo (1 Mbps) irá custar R$ 35 mensais.

Apesar do processo de universalização ainda ser bastante nebuloso, o governo federal já anunciou – também sem conseguir detalhar – uma futura política para aqueles brasileiros que não tenham condições de pagar pelo serviço na sua versão mais barata.

Mesmo suspeitando dos interesses políticos por trás destes anúncios (e é claro que eles existem), da velocidade de conexão baixa e muito provavelmente inconstante, as noticias são animadoras por desencadearem o processo de inclusão digital.

Por enquanto aqueles brasileiros que compraram seu primeiro computador e ainda não tiveram a oportunidade de descobrir este vasto e infinito mundo chamado internet resta conter a ansiedade e torcer para que a parceria saia efetivamente do papel. Caso contrário deixará os brasileiros se perguntando: “será só imaginação? Será que nada vai acontecer?”

Eliana Louise Tao é jornalista em Foz do Iguaçu.

Apesar de tudo ensinando a pescar
 

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